Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
António Ventinhas Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público
13 de maio de 2020

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Se analisarmos os textos dos nossos grandes escritores e historiadores verificamos que há traços que permanecem ao longo dos séculos, apesar de todas as mudanças.

A memória histórica é algo muito importante para percebermos a nossa sociedade e como ela evolui. Se analisarmos os textos dos nossos grandes escritores e historiadores verificamos que há traços que permanecem ao longo dos séculos, apesar de todas as mudanças.

Na obra prima da nossa literatura, os Lusíadas, Luiz Vaz de Camões versa sobre o velho do Restelo. Esta personagem coloca fortes reticências à expansão marítima e receia as desgraças que ocorrerão aos portugueses por terem tomado tal opção. Apesar terem decorrido mais de quatrocentos anos desde a sua publicação, esta é uma das passagens mais simbólicas da nossa literatura, pois representa aqueles que continuam presos ao passado, se recusam a olhar em frente e a abraçar novas oportunidades, bem como a perceber o momento presente. No fundo, são todos aqueles que continuam agarrados ao que passou e recusam qualquer evolução da sociedade, por afectar a sua zona de conforto. Para essas pessoas tudo no presente está mal, no meu tempo é que era bom, dizem.

 Nas últimas décadas, a par de uma forte evolução tecnológica, verificaram-se profundas transformações ideológicas no globo e também em Portugal. Passámos de um estado autoritário e antidemocrático para uma democracia plenamente inserida na União Europeia. A queda do muro de Berlim alterou a concepção do mundo dividido em dois blocos, em que duas grandes superpotências mediam constantemente forças para alcançar a primazia. A União Soviética fragmentou-se em diversas repúblicas autónomas.

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