Pedro Duro
08 de janeiro de 2018

Coisas que aprendi com a Bela Adormecida

"Estes contadores de histórias levam às crianças a simplicidade da dor e da esperança, da mesma forma que procuramos trazê-la na literatura mais sofisticada para adultos."

Quando me veem com os meus enormes auscultadores muitos me imaginam a ouvir música clássica. Raras vezes é verdade. Do abominável Mask Off, de Future (pelo prazer da sonoridade), passando pelo comercial Shape of You, de Ed Sheeran (pelo prazer do amor simples), à base de tudo o que somos hoje (o pai Bach), qualquer coisa me pode passar pelos ouvidos. Mas certo é que já ando mais nos dois primeiros do que no último.

Esta ideia de que há uma música típica para certos perfis e que eles lhe são sempre fiéis esquece que há um traço comum que se reinventa, atualiza, mas se mantém, nos seus dramas, alegrias e essência. Por isso, ler os clássicos do Mediterrâneo culto e conquistador, ler Eça de Queiroz ou ver alguns filmes de hoje traz-nos sonoridades comuns. E essa é uma das lições simples da Bela Adormecida.

Primeiro, na música: a mesma música é, ao longo do tempo, igual e diferente, alegre e triste, infantil e adulta, desde o mote original de Tchaikovsky (1889!), à adaptação para o filme animado da Disney (1959, Sammy Fain e Jack Lawrence), à interpretação de Lana Del Rey (suspiro… 2014). Tanto se pode gostar do reportório de Bach, como da simplicidade do compasso tipicamente quaternário da pop, como da (alegada) confissão de rua de um Mask Off (ainda que não alinhando na mensagem). São diferentes modos, para muitos, sem vergonha ou pedantismo, do mesmo ser.

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