Notícia

César Rodrigues

Fungagá da Bicharada

03.04.2018 18:41 por César Rodrigues
"Atualmente, poderia ser criada uma nova versão com base na bicharada que gravita em torno do futebol. Se as tropelias no desporto vêm do tempo dos avós, hoje, por tudo o que está em jogo, ninguém vai em cantigas ingénuas."

O futebol é, cada vez mais, uma lição de zoologia: um futebol que, quando não e-toupeira, é qualquer outro bicho. Nos últimos dias e com uma ‘cabra grande’ pelo meio, o porco passou a animal principal na linguagem de alguns dirigentes, qual adágio de que ‘a cada porco agrada a sua pocilga’. A propósito do estado atual das coisas, também o treinador Manuel Cajuda referiu que, fora de campo, o futebol português está sujo e… porco!

E os dirigentes também já não hesitam em trazer para a ‘lama’ jogadores e treinadores. Para justificar insucessos tudo passou a valer ou dito de outro modo: para os erros alheios temos olho de lince, para os nossos de… toupeira.

Inspirada nos animais, a música infantil de José Barata-Moura é cantada há décadas, também por outros artistas como o Avô Cantigas.

Atualmente, poderia ser criada uma nova versão com base na bicharada que gravita em torno do futebol. Se as tropelias no desporto vêm do tempo dos avós, hoje, por tudo o que está em jogo, ninguém vai em cantigas ingénuas.

Já em 1928, alguns jornalistas faziam eco de que não se podiam justificar todos os meios para alcançar as vitórias desportivas. E no jornal Os Sports apontava-se o dedo aos representantes máximos dos clubes: "Serão principalmente os dirigentes que chamaremos à barra… São os bons capitães que fazem os bons soldados". Noventa anos depois, a espiral de violência verbal parece não terminar.

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Se as infrações desportivas são, atualmente, mais comuns e praticadas por diversos agentes, cabe aos dirigentes dar o exemplo e educar para o bom desportivismo.

É preciso aplacar a linguagem ofensiva e os impulsos ilícitos. Quanto aos crimes desportivos, que sejam julgados nos tribunais e, em caso de comprovado ilícito, que se punam em conformidade.

De outro modo, o futebol da bicharada será tratado abaixo de cão.

Agora, com a licença de Barata-Moura:

Vamos falar de animais e de como eles são: do e-toupeira, do porco e do dragão, e outros mais também virão, talvez uma águia, outra ave rara ou um leão’.

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Vamos todos aprender a resistir à bicharada, de dirigentes que veem o futebol como uma manada, vamos ver, não tarda nada, quem é que afinal dá a maior alfinetada.

Vamos também descobrir os líderes bestiais, bem diferentes dos habituais, e vamos rir até não poder mais, com as palhaçadas dos seus instintos animais.

É o futebol gagá, fungagá da bicharada!

Como sempre declara o meu amigo Toninho: "Tenham maior seriedade porque isto já não está com nada; respeitem atletas, treinadores e adeptos ou é o fim da macacada!".


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