Notícia

André Silva

Um Hospital Veterinário para quem mais precisa

01.03.2018 17:29 por André Silva
Os animais têm vindo a assumir uma importância crescente no seio familiar e na própria cultura social, no combate ao isolamento e à exclusão, no desenvolvimento da personalidade humana – com especial enfoque nas crianças, nos jovens e na população sénior – e ainda no dever de combater o flagelo do abandono
Foto: Sábado

A análise dos factos numa vida pública recheada de boas intenções e poucas acções é um exercício que dá trabalho e é algo ingrato. O Grupo Municipal do PAN em Lisboa decidiu recomendar à Câmara Municipal a criação de um Hospital Veterinário Solidário Municipal para prestação de cuidados médico-veterinários a animais de munícipes que comprovadamente aufiram baixos rendimentos ou de associações de proteção animal.

Esta medida foi uma das bandeiras do PAN nas Autárquicas de 2017 e surge da necessidade de apoiar os animais e famílias com baixos rendimentos, assim como as associações de protecção animal com sede na área do município que não tenham acesso à prestação de cuidados médico-veterinários e que deles careçam, e também os animais errantes ou acidentados que careçam de cuidados, nomeadamente em situações de urgência.

Os animais têm vindo a assumir uma importância crescente no seio familiar e na própria cultura social, no combate ao isolamento e à exclusão, no desenvolvimento da personalidade humana – com especial enfoque nas crianças, nos jovens e na população sénior – e ainda no dever de combater o flagelo do abandono. Como tal, a criação de um Hospital Veterinário Municipal apresenta-se como uma medida de cariz social e uma necessidade em qualquer cidade que se queira assumir como amiga das pessoas e dos animais.

Mas a votação desta medida gerou alguma confusão esta semana. Parece que no seio do PS foi evidente quem defende genuinamente a causa, para além da estratégia política e financeira, e quem aprecia publicamente esta causa por perceber que é muito valorizada pelos cidadãos e, logo, a utiliza para obter maior número de votos. Foi uma luta renhida. A recomendação teve os votos contra de 31 deputados do PS, a abstenção de cinco deputados independentes (eleitos pelo PS) e os votos favoráveis dos restantes partidos e de dois deputados socialistas, num total de 38 a favor.

Quem votou contra deixou claro em discurso que a causa animal até parece ser muito meritória. Mas gastar dinheiro é que não! Ou talvez lhes venha a ser mais conveniente em época eleitoral, quem sabe.

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Mesmo após serem ouvidas várias associações de defesa dos animais e a Ordem dos Médicos Veterinários, que concordaram sobre esta medida ser a resposta a uma "necessidade premente na cidade", as visões curtas e fragmentadas sobre a realidade agruparam-se em argumentos como a falta de verbas e outras necessidades relacionadas com todos os problemas sociais que persistem nas sociedades, entenda-se exclusivamente relacionados com as pessoas. O apoio médico-veterinário a animais errantes, abandonados ou provenientes de famílias de baixo rendimento ou em situação de especial vulnerabilidade social, como é o caso das pessoas em situação de sem-abrigo, pode evitar uma série de outros problemas sociais nomeadamente de saúde e de segurança públicas, para os quais as autarquias, e os governos, ainda não têm resposta.

Mas tratam-se de opções políticas e da visão de longo alcance que cada um for capaz. Quando há efectiva vontade política a obra nasce. E esta obra já esteve mais longe de nascer muito devido aos que têm a coragem de lutar pelas suas convicções e não pelas imposições das máquinas partidárias em movimento. São estas pessoas que vão mudando o mundo devagarinho. A memória e a sabedoria, individual e colectiva, vão garantindo a viabilização de projectos que estão para além dos complexos enredos políticos e a viabilização da proposta do PAN Lisboa reflecte isso mesmo.

Uma coisa é certa: ontem o PAN ergueu a primeira pedra de um projecto que acreditamos vir um dia a ser uma realidade global no nosso país. Contribuímos assim para uma viragem nas políticas públicas sociais, que passarão certamente a deixar de ser indiferentes à protecção das pessoas e dos animais.


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