2017: Já podemos descer à Terra?
André Rebocho Vaz Consultor
08 de janeiro de 2017

2017: Já podemos descer à Terra?

As pessoas estão felizes, vendo o seu rendimento reposto. O Primeiro-ministro sorri, o Ministro das Finanças ri a cada declaração que faz e o Presidente da República irradia tranquilidade

Terminado 2016, é hora de fazer um balanço económico entre o que foi cumprido e o que foi projectado no início do ano - um crescimento de 2,4% em 2016 e 3% em 2017 - as premissas sob as quais o PS se apresentou como alternativa. O resultado que obtivemos foi um crescimento a metade do anunciado: 1,2% em 2016 e 1,4% em 2017 segundo previsões do Banco de Portugal. Podemos concluir que o ano terminou de forma "satisfatória", mas com incógnitas e perigos adiados para 2017. Crescemos, embora pouco. Cumprimos o défice marginalmente e com recursos extraordinários. O ponto positivo foi que o PS domesticou temporariamente a extrema-esquerda, embora com elevados custos financeiros.

No entanto, os números são insuficientes e ainda assim parece que vivemos 2016 sob uma ilusão de que tudo está uma maravilha. Já assistimos a esta euforia dos aumentos salariais no passado recente, em 2010, com consequências penosas, e como tal a sociedade não pode assistir serenamente a certos estados de alma e afirmações falaciosas por parte de alguns responsáveis políticos e comentadores. Em 2015 ainda estávamos numa situação delicada. Em 2016 muda-se o governo e de repente cria-se a narrativa de que os problemas económicos terminaram. Portugal merece melhor análise. Os Portugueses não se podem fiar na "esmola oferecida" e é uma enorme frustração verificar que 2011 tem sido esquecido por muitos.

As pessoas estão felizes, vendo o seu rendimento reposto. O Primeiro-ministro sorri, o Ministro das Finanças ri a cada declaração que faz e o Presidente da República irradia tranquilidade. Os nossos analistas e comentadores desdobram-se em elogios ao governo e ao rumo do país. Nem uma crítica. O SNS e a escola pública foram salvos e a cultura sobreviveu. E o melhor indicador de felicidade que existe: os partidos de esquerda aplaudem e os sindicatos e grevistas tiram ano sabático.

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