Um risco de subsídio
Ana Rita Cavaco
21 de outubro de 2020

Um risco de subsídio

Temos de avançar na antecipação da idade da reforma para os Enfermeiros, abrir concursos para os Enfermeiros especialistas e assegurar a contagem dos pontos para a progressão na carreira. Continuar a ter 80% dos Enfermeiros a salvar vidas, a correr riscos e sacrificar as suas vidas por menos de 1000 euros líquidos é uma vergonha nacional.

Definam linha da frente. Confesso que estou há algum tempo a tentar encontrar uma boa definição e não consigo. Estamos mal quando a forma que o Governo encontrou para valorizar os profissionais de saúde passa por um subsídio de risco, extraordinário, limitado no tempo, para apenas uma parte do pelotão que tem assegurado os cuidados de saúde aos portugueses.

Não sei, nem me interessa, de quem é esta reivindicação. Se é para dar um cunho de esquerda ao Orçamento do Estado, falhou. O que temos é um subsídio de injustiça, um mecanismo que em vez de unir, vai dividir as classes e as equipas. Quem acredita que existe uma linha da frente é porque assume que existe uma segunda linha, ou uma linha de trás. Errado. Quem acredita que é assim que funciona o sistema de saúde, ainda mais em altura de pandemia, é porque nunca esteve em linha alguma. Simplesmente não sabe como as coisas se passam nos hospitais, nos centros de saúde, nos lares, na emergência médica, enfim, na Saúde em Portugal.

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