O tempo da vergonha
Ana Rita Cavaco
18 de novembro de 2020

O tempo da vergonha

Contado ninguém acredita. Em plena pandemia, com os serviços a rebentar pelas costuras e o País em Estado de Emergência, há Enfermeiros em risco de serem despedidos e, noutro caso, obrigados a trabalhar infetados. Estamos a chegar ao grau zero da decência

O País está em roda livre, sem coordenação, entregue à ditadura dos pequenos poderes. De outra forma, a administração (em letra pequena, sim) do Hospital de Braga não teria a coragem, ou vamos chamar-lhe cobardia, de dispensar Enfermeiros para não ser obrigada a integrá-los nos quadros. Já é vergonha suficiente viver num País que contrata, em plena pandemia, Enfermeiros para quatro meses por menos de 1000 euros líquidos por mês. A isso, junta-se agora o escândalo de, por razões meramente orçamentais, não querer atribuir-lhes um lugar no quadro ao fim do segundo contrato, tal como manda a Lei. Como é possível? O Hospital de Braga parece viver num mundo à parte, sem tutela, sem alguém que lhe diga, preto no branco, que os tempos que vivemos não rimam com este tipo de atitudes. Porquê? Porque as pessoas não são carne para canhão e porque, pasme-se, sim, todos os Enfermeiros são poucos nesta hora difícil. Já chegam os que estão anos em contratos de substituição ou em mobilidade nunca consolidada, suspensos como se não lhes fosse permitido ter vida.

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