O inferno a olho nu
Ana Rita Cavaco
15 de julho de 2020

O inferno a olho nu

Já ninguém pode dizer que desconhece. Este vírus revelou o estado em que vivem milhares de idosos, ao suposto cuidado de lares que as autoridades deveriam investigar. São autênticos infernos. A história não é de hoje e esta equipa da Ordem dos Enfermeiros está há 4 anos a alertar, denunciar e a esperar.

Um país define-se pela forma como trata os idosos, como preserva os seus saberes, valoriza a sua sabedoria e é capaz de lhes garantir cuidados de saúde dignos até ao último dia das suas vidas. O caso do lar de Reguengos de Monsaraz é a ponta de um icebergue que tem de ser identificado em toda a sua extensão.

Nem vou entrar pela questão dos lares ilegais que fazem fortunas à conta da miséria alheia. Foco-me nos ditos legais. Muitos têm falsos enfermeiros e os outros, com enfermeiros reais, quase nunca cumprem o número mínimo de profissionais por doente. Mas o número mínimo que a Lei estabelece também é absurdo: um Enfermeiro para cada 40 residentes.

Os cuidados de enfermagem têm de ser prestados por enfermeiros. Não há espaço para o "jeitinho" de outros a mando dos responsáveis dos lares. Os idosos merecem cuidados profissionais, seguros e diferenciados em função das suas realidades individuais. São os nossos pais e avós. Seremos nós, amanhã.

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