Não debater para não pensar
Ana Rita Cavaco
29 de julho de 2020

Não debater para não pensar

Fui avisando para o que aí vinha. Mesmo sem pandemia, nenhum País como Portugal resistiria à sangria de ter cerca de 20 mil Enfermeiros emigrados. Apesar da uma dúzia de manchetes sobre o tema, parece que ninguém quis ouvir. A factura chegou.

Com o apelo feito aos Enfermeiros dos centros de saúde com experiência em cuidados intensivos, deixámos os cuidados de saúde primários a descoberto. Quando a manta é curta, se cobrimos a cabeça destapamos os pés. A carência de profissionais é tal que as Administrações Regionais de Saúde já publicam anúncios de contratação em jornais diários. Nada feito. Não há Enfermeiros disponíveis e aqueles que vão sair agora das escolas não chegam para as encomendas. Sucedem-se os avisos por parte da Ordem e os pedidos de audiência para a preparação do plano de contingência. Nunca, como agora, a falta de Enfermeiros foi tão notoriamente dramática.

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