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A Porteira

Professora Catedrática em Festivais

06.03.2018 20:16 por A Porteira
"Agora, professor? Primeiro, diz que ganham uma miséria, e depois ainda têm de aturar os filhos dos outros. Ai, pra isso não me convidem, credo! Só se ele foi pra lá na mira de aproveitar os dias de greve, que não são poucos. Mas, mesmo assim, não sei se compensará. É fazer as contas, como dizia o outro."
Foto: Sábado

Eu, que a mim quem me tira a bata traçada tira-me tudo, confesso que gosto muito de lavar a vista com os vestidos das carpetes das festas dos Óscares. E também gosto muito de ver a cerimónia até o Lorenin fazer efeito, que é mais ou menos dez minutos depois daquilo começar. Mas também, como não tenho vagar de ir ao cinema, é um bocado igual ao litro, Deus me perdoe. Nem sei se Portugal ganhou ou não. A gente havíamos de concorrer era com uma revista do Parque Mayer, a ver se não limpávamos aquilo tudo. Mas, já se sabe, isto há muita falta de visão de quem manda. E manda quem pode, obedece quem deve, que era como dizia o Salazar no tempo da outra senhora.

Este ano, ainda por cima, foi o bodo aos pobres, que também tivemos o festival, e ainda por cima cá.

Gostei muito dos vestidos das apresentadoras, arranjadinhas mas sem serem badalhocas como se vê muito lá fora. É a gente a darmos mais uma lição ao mundo e a mostrar como é que se fazem as coisas, como por exemplos a maior feijoada do mundo, ou os pastéis de nata, que não há em mais lado nenhum. Isto já pra não falarmos dos heróis da gente, olha, como o Vasco da Gama, que descobriu o Brasil em mil nove e troca o passo. E era alentejano, e daquela parte que não tem mar, é só sobreiro, o que mostra que a gente quando metemos uma coisa na cabeça, não há quem pare a gente.

E se no ano passado o Salvador Sobral mostrou ao mundo todo como é que se canta, este ano vamos mostrar como é que se faz um festival. Que festivais é uma coisa que a gente sabemos fazer como ninguém.

Espero bem que quem organiza estas coisas se lembre de ir buscar assim o mais engraçado do que havia dantes na televisão. Já estou a imaginar o Zé da Viúva, que era do concurso do 123, a ler as votações. Ou a Olívia Patroa a apresentar os concorrentes. Agora, tinha era de ser com outra pessoa, que a Ivone Silva, coitada, já lá está. Olha, punha-se a Anabela, que assim como assim já não tinha perdido a viagem a Guimarães.

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Só tenho pena é que aquilo seja tudo só mulheres a apresentar, que por mim, punha o mas era Fernando Mendes que ainda é o melhorzinho que a gente temos na têvê. Mas como lá fora anda tudo com as mulheres práqui e as mulheres pralí, também não pode ser tudo como a gente queremos, há que saber receber as pessoas de fora e fazer-lhe a vontade, a ver se depois voltam, que é como em tudo.

Bom, mas o mais importante no meio disto tudo é a música. Foi uma pena tão grande aquilo do Piçarra, que a canção ficava mesmo no ouvido. E sempre levávamos um clássico, que diz que aquilo já tem uma data de anos. Punha-se a Simone a cantar, e era juntar a fome à vontade de comer.

Não é que eu desgoste da música que ganhou, porque não desgosto. É bonita e a puxar à lágrima. A letra não interessa nada, que os estrangeiros também não percebem patavina do que a gente dizemos. Nem quando a gente falamos em inglês, quanto mais em português. Olha, é pôr os olhos no Doutor António Costa. A gente vemos os políticos lá fora a ouvirem o que ele diz e a fazer que sim com a cabeça mas, por a cara deles, percebe-se logo que ficaram na mesma.

Quem não ficou nada na mesma foi o Doutor Passos Coelho. Quer dizer, Professor Passos Coelho. Diz que agora vai dar aulas.

Eu acho que o homem não deve de ter nada na cabeça, sinceramente. Com tantas profissões bonitas que há para quando eles se reformam da política, atão ele escolhe ir para professor?

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Eles, as mais das vezes, vão assim pra um banco, que é só das nove às três, não cansa tanto, ou vão mandar numa companhia qualquer. Olha, como o outro Coelho, o do PS, que foi ministro das obras e depois foi trabalhar prás obras, mas mais assim como empreiteiro, não era a acartar sacos de cimento, o que faz sentido que já vinha com o jeito e a escola toda. E nestas coisas é que se ganha dinheiro, que só quem nunca mandou tirar a bancada de mármore da cozinha para trocar por uma em inox, ou quem nunca mandou fechar uma marquise é que não sabe como eles se pagam bem.

Agora, professor? Primeiro, diz que ganham uma miséria, e depois ainda têm de aturar os filhos dos outros. Ai, pra isso não me convidem, credo! Só se ele foi pra lá na mira de aproveitar os dias de greve, que não são poucos. Mas, mesmo assim, não sei se compensará. É fazer as contas, como dizia o outro.

Mas isto já se sabe, quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré, como diz a menina que me faz a mise aqui no Salão Lucibella, que é brasileira, não sei é dizer de donde. Mas não há-de ser assim de uma cidade muito grande, que Deus me perdoe.

Bom, o que eu lhe desejo é muito sucesso e sorte na carreira nova. Que é também o que desejo às meninas que vão representar a gente na Eurovisão. Olha, e desejo que a ver se escolhem uns vestidinhos melhores, que aquilo, ai se fossem minhas filhas... Todas desgrenhadas, todas mal-enjorcadas, francamente.

A gente não se podemos esquecer que somos a terra do Camões, do Fernando Pessoa, da Amália e da Marina Mota. Não há direito de nos apresentarmos ao mundo de cabelo às cores, de camisola de dormir e de peúga à mostra.

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Se é para puxar por o que é nosso, que vaiam de noivas do Minho. Ou de peixeiras da Nazaré. Ou de campino, que até diz que...

Bom, ou então de bata, que também é típico e é como eu ando o dia todo. E não me caem os parentes na lama.

Com licença.  


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