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Primeira investigação de universidade descarta plágio de tese de Pedro Sánchez

12.09.2018 18:45 por Carolina R. Rodrigues
As dúvidas sobre a tese de doutoramento do primeiro-ministro espanhol foram levantadas esta quarta-feira, depois da polémica com a ministra da Saúde espanhola.
Pedro Sanchéz
Foto: Reuters
Pedro Sanchéz
Foto: Reuters
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Carmen Montón
Foto: Getty Images

A Universidad Camilo José Cela concluiu uma investigação preliminar sobre a tese de doutoramento de Pedro Sánchez e descarta até ao momento a hipótese de plágio, tendo encontrado somente 15% de correspondências com outros textos – uma percentagem muito baixa que não é considerada um acto de plágio e possivelmente explicada pelas notas bibliográficas correspondentes, avança o El Español.

As dúvidas sobre a tese "Inovações na Diplomacia Económica Espanhola: Análise do Sector Público (2000-2012)" do líder socialista surgiram com a polémica da demissão da ministra da Saúde espanhola, Carmen Montón, por irregularidades na sua tese de mestrado. Esta quarta-feira, durante um debate no Congresso de Espanha, o deputado do Ciudadanos Albert Rivera desafiou Sánchez a tornar pública a sua tese. "Acabemos com a suspeita. Não pode haver um 'caso presidente do Governo'. Torne pública a sua tese de doutoramento para acabar com as dúvidas", disse.

"A minha tese está publicada no Teseo [a base de dados de teses de doutoramento do Ministério da Educação]", respondeu o primeiro-ministro espanhol. "Você dirá que não, mas não prepara as perguntas", acusou.

A plataforma indicada pelo chefe do governo tem de facto o registo da tese de doutoramento, mas este contém apenas a ficha técnica da tese, o resumo de cinco linhas, o nome da orientadora e dos júris que avaliaram o trabalho. O mesmo não pode ser consultado no Teseo porque o autor – Pedro Sánchez – não deu autorização para tal. Porém, na biblioteca da Universidade onde o político concluiu o doutoramento é possível ver a tese, mas não é permitido fazer cópias da mesma, que também não está digitalizada.

O caso de Montón não é único em Espanha. Pelo contrário, junta-se a uma longa lista de suspeitas de irregularidades educacionais nos currículos de governantes, como Pablo Casado, que está a ser investigado por causa do seu mestrado em Direito Autonómico e Local da Universidade Juan Carlos I de Madrid. Alegadamente, este só entregou quatro dos 90 trabalhos exigidos e frequentou somente quatro das 18 cadeiras previstas.

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Em Portugal há casos semelhantes: Miguel Relvas, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Pedro Passos Coelho viu a licenciatura Ciência Política e Relações Internacionais obtida na Universidade Lusófona ser anulada em 2014, por ter obtido créditos suficientes para terminar a licenciatura num ano em vez de quatro e por ter passado a cadeiras sem ter frequentado aulas.

Também Nuno Félix, nomeado chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto em 2016, declarou ter duas licenciaturas: uma em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e outra em Direito na Universidade Autónoma de Lisboa. Mais tarde, descobriu-se que Félix frequentou apenas os cursos, mas nunca chegou a terminá-los de facto.


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