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Papa lamenta “vergonha” pelo “fracasso” da Igreja

25.08.2018 16:12 por Diogo Barreto
Francisco chegou este sábado à Irlanda, país onde centenas de crianças foram abusadas por membros da Igreja.
Foto: Getty Images
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Papa Francisco na Irlanda

Chegado a Dublin este sábado, o papa Francisco afirmou estar "envergonhado" e em "sofrimento" por saber do "fracasso das autoridades eclesiásticas" para combater os crimes do clero na Irlanda.

"O fracasso das autoridades eclesiásticas — bispos, superiores religiosos, padres e outros — para combater de forma adequada estes crimes ignóbeis suscitou justa indignação e continua a ser motivo de sofrimento e de vergonha da comunidade católica. Eu próprio, partilho estes sentimentos", disse Francisco perante as autoridades políticas e civis irlandesas, pouco após a chegada ao país.

"Não posso deixar de reconhecer o escândalo que o abuso de crianças por membros da Igreja causou nas pessoas da Irlanda. Ainda para mais membros com a responsabilidade de proteger a educar aquelas crianças", lamentou Francisco.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, apelou ao papa Francisco para usar a sua "posição" e influência para garantir que seja assegurada "justiça" às vítimas de abusos cometidos por membros da Igreja "no mundo inteiro".

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"As feridas estão ainda abertas e há muito a fazer para que as vítimas e os sobreviventes obtenham justiça, verdade e recuperação. Santo Padre, peço-lhe que use a sua posição e influência para que assim se cumpra aqui na Irlanda e no mundo inteiro", declarou Leo Varadkar durante a visita do sumo pontífice à Irlanda.

Em declarações à televisão irlandesa, Colm O'Gorman, uma das vítimas dos abusos na Irlanda, afirmou que as delcarações do papa mostravam uma tentativa de contornar e ignorar o tema dos crimes que o Vaticano conhecia e que decidiu ignorar.

Esta viagem de dois dias marca a primeira vez em 39 anos que um papa visita a Irlanda. Em 1979, o Papa João Paulo II esteve no país, quando o país era ainda altamente católico, e o divórcio e muitos métodos contraceptivos artificiais eram ilegais. No entanto, nos últimos três anos a sociedade irlandesa aprovou o aborto e o casamento homossexual através de referendos, mesmo indo contra a vontade eclesiástica. 

O Papa pediu ainda aos irlandeses que não esquecessem a mensagem católica e as suas ligações à Igreja, aos fiéis. Mas os números não parecem animadores. Espera-se que o papa seja visto por pouco mais de meio milhão de pessoas quando, em 1979, o então papa João Paulo II foi recebido por mais de 2,5 milhões de pessoas.


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