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Europa

A McDonald's ainda não conseguiu entrar nesta ilha

25.08.2018 11:59 por Diogo Barreto
Manifestantes querem manter cadeia de fast food de ilha francesa com população de 22.000 habitantes no Inverno e 300.000 no Verão.
Foto: Sábado

Toda a França está ocupada por McDonald's? Toda? Não. Uma pequena ilha de irredutíveis gauleses resiste e continuará a resistir ao invasor. Um grupo de cidadãos na ilha d'Oléron, na costa francesa quer manter a cadeia internacional de fast food fora da ilha. 

"Oléron é um sítio lindo, é importante protegê-lo", explicou Nicolas, de 36 anos, que estava presente no protesto público, em que os manifestantes envergaram t-shirts e cartazes onde se liam palavras de ordem contra hambúrgueres, depois de um processo ser instaurado há quatro anos, depois da empresa de fast food ter mostrado interesse em entrar na ilha.

No Outono de 2017, um tribunal de Poitiers decidiu que não havia motivos legais para proibir a instalação do McDonald's na ilha e que devia dar permissão para que comece a construção do restaurante. O apelo do presidente da câmara da vila de Dolus-d’Oléron (3.000 habitantes) impediu temporariamente a construção do restaurante. Uma nova decisão é esperada em Setembro deste ano, mas até lá as tensões continuam a aumentar.

"Não precisamos de umMcDonald's num sítio que é pioneiro no mundo da comida orgânica, desenvolvimento sustentável e até no desperdício zero - ou seja, formas de vida que saem fora do mercado do consumo de massas", continuou Nicolas referindo-se a esta ilha de 30 quilómetros de largo e que tem 22.000 habitantes ao longo do ano mas que, em Agosto, chega a albergar 300.000 pessoas.


Mas nem todos concordam com os manifestantes. Há ilhéus que defendem que todos têm o direito a comer uma refeição servida em cinco minutos se assim o desejarem, mesmo que o McDonald's mais longínquo da ilha seja a 18 quilómetros depois da ponte, em Dolus.

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Mas o presidente da câmara local, Grégory Gendre, continua firme na batalha contra a entrada da empresa na ilha. Oléron vai ser a primeira a sofrer com a subida do nível médio da água dos mares. Gendre diz ainda que a forma industrial de produção do McDonald's é prejudicial e contrária à identidade da ilha que se quer sustentável.

Do outro lado, o gerente de um espaço de bowlling, o gerente Jean-Michel Arnaud afirma que acredita que o aparecimento de um McDonald's pode ser uma oportunidade económica, ajudar a criar emprego e a trazer dinamismo".


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