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Governo italiano sabia dos problemas na ponte de Morandi

21.08.2018 10:16 por Diogo Barreto
Um relatório com seis meses apontava já vários problemas na infra-estrutura que acabou por colapsar e causar a morte a 43 pessoas..
genova queda ponte viaduto
Foto: EPA
genova queda ponte viaduto
Foto: EPA
Genova queda ponte auto-estrada
Foto: REUTERS/Stefano Rellandini

Génova ponte Morandi
O Ministério dos Transportes italiano tinha conhecimento das fragilidades da ponte Morandi, a estrutura que desabou no passado dia 14 de Agosto e resultou na morte de 43 pessoas na cidade de Génova.

O executivo de Matteo Renzi sabia que a corrosão dos pilares que sustentam a estrutura diminuíra em 20% a capacidade de resistência dos cabos metálicos. Os dados estavam presentes num estudo da própria concessionária da A10 - a Autostrade per L'Italia - e são citados pelo jornal L'Espresso.

No documento da concessionária informava-se que haviam sido descobertos "alguns aspectos questionáveis sobre a resistência do betão". O documento foi entregue em Fevereiro deste ano e nos seis meses que passaram entre a entrega do documento e a queda da ponte, nada terá sido feito para minimizar os riscos de desgaste que a ponte apresentava. Segundo noticia o L'Espresso, a acta da reunião na qual a gestão das Obras Públicas de Génova 

"Nem a empresa concessionária nem o Ministério consideraram ter que limitar o tráfego, desviar os veículos pesados, reduzir as faixas de rodagem, limitar o a velocidade", afirma o jornal italiano que revelou ainda a acta da reunião na qual a gestão das Obras Públicas de Génova emite a obrigatoriedade de um parecer em relação ao projecto de reestruturação da Autostrade per L'Italia, assinado pelo arquitecto genovês Roberto Ferraza, que foi escolhido pelo actual governo para liderar as investigações que têm como objectivo apurar as causas do colapso de parte da estrutura da ponte.

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Em declarações ao Financial Times, Ferraza garante que não considera que haja um conflito de interesses ao assumir a responsabilidade por levar a termo as investigações em curso. "Fui nomeado para a tarefa", disse, remetendo para o facto de não ter sido acatada a sugestão de efectuar obras de melhoramento na ponte. O arquitecto conta que o projecto relativo às obras foi enviado para Roma para a aprovação final, o que, de facto, aconteceu. As obras foram aprovadas pelo Ministério, conta o jornal, e um concurso, no valor de 20 milhões de euros, foi anunciado em Maio.

O governo de Giuseppe Conte foi rápido em atribuir as culpas para o acidente à concessionária. O vice-primeiro-ministro italiano, Luigi Di Maio, afirmou: "Os responsáveis têm um nome e um sobrenome: Autostrade per L'Italia".

Já o ministro das Infraestruturas, Danilo Toninelli, disse numa mensagem na rede social Facebook que "os directores da Autostrade per l'Italia devem demitir-se antes de mais nada" e avançou que o governo italiano "activou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de uma multa de até 150 milhões de euros".

Já a empresa que explorava a ponte recusou qualquer responsabilidade e afirmou que havia cumprido todos os requisitos de segurança: "Os diagnósticos compuseram a base para as obras de manutenção aprovadas pelo Ministério dos Transportes, de acordo com a lei e com os termos do contrato de concessão", afirmou a empresa, num comunicado citado pela Reuters.


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