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Europa

Como a extrema-direita tem crescido na Europa

10.09.2018 18:00 por Diogo Barreto
O partido de extrema-direita não ganhou as eleições na Suécia, mas ficou entre as forças mais votadas. O mesmo se verificou na Itália, Alemanha, Áustria, Hungria ou Holanda.
Foto: Getty Images
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A extrema-direita continua a ganhar terreno na Europa. Mesmo que poucos partidos desta orientação política tenham vencido as eleições nos seus respectivos países, muitos conseguiram ser o segundo ou terceiro partido mais votado, como aconteceu com a Suécia este fim-de-semana, onde os Democratas Suecos conseguiram ser a terceira força política mais votada. Há mesmo países em que estes partidos são a principal voz na oposição.

Vários motivos terão contribuído para a subida da extrema-direita, como por exemplo a crise migratória e financeira que assolou a Europa nos últimos anos. E as principais medidas apresentadas por estes partidos estão relacionadas com este tema. Apesar de haver diferenças de país para país, estes partidos podem ser identificados pelo seu discurso anti-imigração, anti-muçulmano e pelo euroceptismo.

A Suécia é o último país que confirma uma tendência crescente dentro da Europa, com o partido anti-migratório Democratas Suecos a conseguir o terceiro lugar nas eleições legislativas, passando dos 12,9% que haviam conseguido da última vez, para os 18%, este sábado.

O partido de extrema-direita entrou no parlamento sueco em 2010 e desde então tem crescido em número de deputados eleitos, enquanto o partido de centro-esquerda Democracia Social, do actual primeiro-ministro, Stefan Lofven, viu o seu poder diminuir.

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Apesar do crescimento desta extrema-direita, a Suécia continua a ser o país europeu que recebe o maior número de refugiados per capita e que apresenta um maior nível de atitude positiva em relação aos imigrantes, segundo a BBC.

Na Finlândia, o partido de extrema-direita Os Finlandeses conseguiu 18% nas eleições legislativas passadas, tornando-se o segundo partido mais votado no país. No entanto, já este ano, o candidato presidencial pelo partido conseguiu apenas o apoio de 6,9% dos votantes.

Ainda no norte da Europa, o Partido Popular Dinamarquês conseguiu 21% dos votos dos eleitores, tornando-se a segunda força política. Este peso no Parlamento permitiu que a Dinamarca aprovasse uma das leis migratórias mais estritas da Europa.

Fronteiriça à Dinamarca, o AfD conseguiu 12,6% dos votos na Alemanha, complicando as contas aos partidos de centro do país que tiveram de procurar fazer diversas alianças para conseguirem uma maioria no Reichstag.

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O Alternativa para a Alemanha foi formado em 2012 e entrou para o Parlamento em 2017, com uma votação bastante expressiva. O AfD assumiu-se desde cedo como anti-migração, anti-Europa e abertamente crítico de um alegado processo de islamização europeia.

Um dos países europeus onde a extrema-direita conseguiu uma maior votação foi na Áustria, com o Partido da Liberdade a conseguir mais de um quarto do total de votos no país. O partido conseguiu ser escolhido como o parceiro de coligação para o governo conservador de Sebastian Kurz.

Estas eleições vieram reforçar a posição da extrema-direita depois do seu candidato presidencial ter perdido por uma curta margem para o actual presidente, Alexander van der Bellen.

De novo, como aconteceu em muitos outros países europeus, o FPÖ fez campanha com base no seu discurso anti-migração e influenciou a forma de fazer política no país. Os conservadores tornaram-se mais rígidos na sua política migratória e o FPÖ acusou mesmo o partido de lhe ter roubado ideias.

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Na Hungria, as legislativas não confirmaram uma vitória abismal da extrema-direita (o principal partido representante desta facção conseguiu 19% dos votos), mas a escolha de Viktor Orban para primeiro-ministro mostra que o discurso anti-migração é particularmente bem recebido pelo povo húngaro.

Em Itália, o La Liga conseguiu chegar ao poder depois de formar uma ligação com o Movimento Cinco Estrelas e tem lutado bastante para impor o seu discurso anti- migrantes, num país bastante afectado pela crise financeira e em que centenas de migrantes vindos do norte de África chegam todos os meses.

Este partido – que inicialmente se chamava A Liga do Norte – chegou a pedir que o norte de Itália (muito mais forte economicamente) se pudesse separar do sul, formando um novo estado. No entanto, recebe apoio consensual um pouco por toda a Itália.

Outra eleição que fez com que a Europa se preocupasse com a insurgência da extrema-direita ocorreu na Suíça, com o Partido da Liberdade de Geert Wilders a chegar mesmo a ser dado como o provável vencedor. No final, acabou por terminar em segundo lugar, apesar de ter aumentado bastante o número de lugares conquistados.

Já em França, a candidata pela Frente Nacional conseguiu ficar em segundo lugar nas presidenciais, atrás de Emmanuel Macron. Marine Le Pen, a segunda geração da família a liderar este partido anti-migração, tornou-se uma das mais conhecidas figuras da política francesa e um símbolo para a extrema-direita europeia.

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Apesar de ter recolhido bastante apoio na sua candidatura presidencial, a Frente Nacional sofreu uma pesada derrota nas legislativas, conseguindo apenas 11% dos votos, numa eleição em que o partido de Macron dominou.


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