Oposição acusa regime venezuelano de "fabricar" tentativa de invasão marítima

Lusa 04 de maio de 2020
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Oposição diz que "o regime procura desviar a atenção" da situação do país para "um suposto evento repleto de inconsistências, dúvidas e contradições".

A oposição venezuelana acusou hoje o Governo do Presidente Nicolás Maduro de "fabricar" a montagem de uma invasão marítima, por alegados "mercenários terroristas", que queriam dar um Golpe de Estado.

"Uma montagem fabricada ou um ato criminoso manipulado pela ditadura para continuar a perseguição ao governo interino, à Assembleia Nacional e às forças democráticas", denunciou o líder opositor e presidente do parlamento, Juan Guaidó.

A denúncia foi feita através de um comunicado em que a oposição diz que "o regime procura desviar a atenção" da situação do país para "um suposto evento repleto de inconsistências, dúvidas e contradições".

O Governo venezuelano anunciou hoje que oito pessoas morreram e duas foram detidas, no Estado de La Guaira, a norte de Caracas, devido a uma tentativa frustrada de invasão marítima, por "mercenários" que pretendiam fazer um Golpe de Estado.

O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime), Diosdado Cabello, tido como o segundo homem mais forte do chavismo, que precisou que um dos detidos, um venezuelano, reconheceu ter trabalhado com a Agência Antidrogas Americana (DEA), organismo expulso da Venezuela em 2015 e que o regime acusa de promover o narcotráfico e a realização de golpes de Estado na América Latina.

Segundo a oposição, "militares e civis venezuelanos" teriam sido "presumivelmente executados extrajudicialmente pela ditadura e os seus cadáveres usados para criar um ‘falso positivo’ (que parece ser o que não é) nas costas do Estado de Vargas [agora Estado de La Guaira]".

No comunicado, a oposição explica que, "nas últimas 36 horas, ficou evidenciada a violência generalizada que sustenta o regime" com "o massacre, no centro penitenciário, de Los Llanos, em Guanare, no Estado de Portuguesa, que causou pelo menos 47 mortos e 75 feridos".

Alerta também para "a guerra entre gangues armados em um dos maiores e mais populosos bairros da América Latina, Petare [leste de Caracas], pelo controle da área, pondo em risco a vida de milhares de inocentes".

A oposição refere ainda a divulgação de um "vídeo de grupos paramilitares, coletivos, encapuzados e com armas longas no [bairro] 23 de janeiro, controlando esse setor de Caracas e ameaçando quem se opuser à tirania".

"O regime de Nicolás Maduro e a sua cúpula não podem negar nem ocultar o descontentamento geral das Forças Armadas, uma instituição que também foi vítima de perseguição", lê-se no comunicado da oposição.

"Este é um estado falido, um estado criminoso que promove uma política de violência generalizada e que ampara grupos irregulares para aumentar o controlo social e a repressão", afirma o documento.

A oposição diz que se trata de factos repreensíveis e que a comunidade internacional deve estar alerta, porque "morreram venezuelanos e a vida de milhões está em perigo, enquanto se prolongar o estado criminoso" na Venezuela

"É urgente estabelecer um governo nacional de emergência para proteger os venezuelanos e restaurar a ordem constitucional e democrática", conclui.

Segundo as autoridades venezuelanas "entre os materiais apreendidos" aos supostos invasores contam-se veículos "para montar metralhadoras", armas de assalto, um documento de identidade peruano e peças de uniforme militar com a bandeira dos Estados Unidos.

Caracas acusou a Colômbia e os Estados Unidos de prepararem um golpe contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

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