Maduro teve uma reunião "agradável, franca e respeitosa" com Kerry

Lusa 28 de setembro de 2016
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Presidente venezuelano adiantou ainda que no encontro as duas partes comprometeram-se a "construir uma agenda positiva"

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na terça-feira que a reunião que manteve esta semana com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, foi "agradável, franca, respeitosa".

"Foi uma reunião que eu diria agradável, franca, respeitosa, diplomática, e eu que sou cristão (...) pedi a Deus para que aquilo que foi conversado se torne realidade e que se abra a oportunidade de ter relações boas e de respeito e diálogo com o Governo do Presidente Barack Obama", afirmou, durante o seu programa de televisão "Em contacto com Maduro".

O Presidente venezuelano adiantou ainda que no encontro, que durou 40 minutos, as duas partes comprometeram-se a "construir uma agenda positiva", pelo que, "muito em breve, estará na Venezuela o subsecretário Thomas Shannon".

Maduro disse ainda que aproveitou o encontro -- que teve lugar na Colômbia, à margem da assinatura do acordo de paz entre o Governo colombiano e a guerrilha das FARC -- para convidar o chefe da diplomacia norte-americana a visitar a Venezuela.

"Eu disse-lhe: 'Quando nos visitas na Venezuela?' E ele afirmou: 'Se as coisas correrem bem vou à Venezuela'. E eu respondi: 'Serás bem-vindo na Venezuela, John Kerry'", relatou.

"Eu quis e quero as melhores relações de respeito e de diálogo com Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos e com o Presidente que lhe irá suceder", frisou.

Maduro e Kerry ratificaram ainda a vontade mútua de "melhorar a relação" bilateral manifestada numa reunião que ocorreu pouco depois da cerimónia de assinatura do acordo de paz.

"Kerry expressou a sua preocupação relativamente aos desafios económicos e políticos que afectam milhões de venezuelanos e instou o Presidente Maduro a trabalhar construtivamente com os líderes da oposição para os abordar", disse, por seu lado, John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado.

Na mesma nota, Kirby não detalha, porém, se o secretário de Estado norte-americano transmitiu a Maduro a posição dos Estados Unidos no que toca ao referendo para revogar o mandato do Presidente na Venezuela.

Na semana passada, depois de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela ter anunciado que o referendo não se irá realizar este ano, Washington afirmou que tal "priva os cidadãos venezuelanos da oportunidade de dar forma ao rumo do seu país".

As relações bilaterais entre os Estados Unidos e a Venezuela encontram-se agitadas desde a retirada de embaixadores em 2010 e a tensão agudizou-se com a crise na Venezuela, cujo Governo acusa Washington de ingerência nos seus assuntos internos.

Em junho, foi posta em marcha uma nova tentativa de aproximação bilateral com uma viagem a Caracas de Thomas Shannon, que se reuniu com Maduro e com membros da oposição venezuelana.

Antes do encontro com Maduro na Colômbia, Kerry disse aos jornalistas estar "profundamente preocupado pelo povo da Venezuela, pelo nível de conflitualidade, fome e falta de medicamentos" no país.

"A situação humanitária suscita enorme preocupação", afirmou.

Por outro lado, disse afirmou estar também preocupado com os atrasos no referendo, solicitado pela oposição venezuelana.

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