Guiné-Bissau: candidaturas em desacordo sobre trabalhos da Comissão de Eleições

Lusa 04 de fevereiro de 2020
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"No fundo não tivemos apuramento nacional", defendeu Mário Lino da Veiga, responsabilizando o presidente da CNE. A SÁBADO revelou que hackers adulteraram resultados eleitorais no país.

As duas candidaturas às presidenciais da Guiné-Bissau divergiram hoje quanto aos trabalhos de verificação e consolidação dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), prolongando um impasse que se arrasta desde meados de janeiro.

Eleições Guiné-Bissau
João Dinis Guiné-Bissau
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Avião Guiné
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Os trabalhos hoje realizados pela CNE, por imposição da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) para cumprir uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça ordenando o apuramento nacional dos resultados, foram criticados pela candidatura de Domingos Simões Pereira e elogiados pelos apoiantes de Umaro Sissoco Embaló, Presidente eleito do país por indicação do órgão eleitoral.

Mário Lino da Veiga, representante do candidato Domingos Simões Pereira, disse que a candidatura já apresentou uma reclamação formal sobre o que se passou hoje, criticando a "forma como a CNE está a tratar" a questão.

"No fundo não tivemos apuramento nacional", defendeu Mário Lino da Veiga, responsabilizando o presidente da CNE, José Pedro Sambú pela situação.

"O que vimos ali dentro é a CNE a não se importar com as leis da Guiné-Bissau, com o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça e a limitar-se a cumprir com o que diz a CEDEAO" , observou Lino da Veiga, que diz ter assinado a ata da reunião apenas para confirmar a sua presença e autenticar o que foi feito.

Por seu turno, Vença Gomes, representante de Umaro Sissoco Embalo, defendeu que os trabalhos realizados não alteraram os resultados que dão a vitória ao seu candidato.

"Não houve nenhuma alteração dos resultados" e o "trabalho foi feito de uma forma objetiva", declarou Vença Gomes.

"Foi consolidado o trabalho feito pela CNE" e "não foi nada de extraordinário", acrescentou o representante, em declarações aos jornalistas.

O Supremo, nas suas competências de Tribunal Eleitoral, ordenou à CNE a repetição do apuramento nacional nos termos do artigo 95.º da Lei Eleitoral, sob pena de ser autuado em termos da lei.

Hoje, os trabalhos na CNE contaram com a presença de um representante da CEDEAO.

Segundo a lei eleitoral, aquela operação consiste na verificação de número total dos eleitores inscritos, dos eleitores que votaram e sua percentagem relativamente aos primeiros, na verificação do total de votos obtidos por cada candidato, partido ou coligação de partidos e do número de votos nulos.

A CNE divulgou em 01 de janeiro os resultados provisórios das eleições presidenciais, sem, segundo o Supremo Tribunal de Justiça, ter terminado o apuramento nacional.

Na sequência de um recurso de contencioso eleitoral, apresentado pelo candidato Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o Supremo Tribunal de Justiça já tinha emitido um acórdão a pedir o cumprimento do artigo 95.º da Lei Eleitoral, tendo mais tarde, numa aclaração, insistindo na necessidade de realizar o apuramento nacional.

A CNE, por seu lado, diz que concluiu o processo com a divulgação dos resultados definitivos, que dão a vitória a Umaro Sissoco Embaló, com 53,55% dos votos, enquanto Domingos Simões Pereira teve 46,45%.

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