Fake news sobre fogos na Austrália contaminam redes sociais

Lusa 08 de janeiro de 2020
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Artigos falsos difundidos por 'sites' e páginas nos EUA e na Europa chegam mesmo a responsabilizar ‘ecoterroristas’ e tempestades por provocarem os incêndios.

Imagens falsas ou antigas, informação errada e até mapas fictícios partilhados por cidadãos, partidos políticos e celebridades estão a contaminar a cobertura dos fogos na Austrália divulgada nas redes sociais.

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Uma investigação da ABC Austrália aponta para uma proliferação de ‘bots’ (aplicação de 'software' concebida para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão) e contas fictícias que estão igualmente a espalhar notícias falsas, incluindo a tentativa de apontar o dedo a ecologistas, nomeadamente em torno do debate sobre as alterações climáticas.

Entre a informação falsa que circula há várias imagens e notícias com a 'hashtag' #ArsonEmergency que têm inundado a rede social Twitter.

Um investigador da Queensland University of Technology (QUT), Timothy Graham, diz que cerca de um terço de mais de 300 contas que analisou e que têm partilhado publicações com essa 'hashtag' sugerem ser falsas ou automatizadas.

Uma das mais partilhadas, por exemplo, a notícia falsa de que as autoridades australianas teriam detido 200 incendiários, atacando os 'media' tradicionais por ignorarem a informação e preferirem responsabilizar as alterações climáticas.

O número total de pessoas detidas por provocarem incêndios é até ao momento de 24, sendo que só um pequeno número foi responsável por grandes fogos.

Artigos falsos difundidos por 'sites' e páginas associadas à extrema-direita nos Estados Unidos e na Europa chegam mesmo a responsabilizar ‘ecoterroristas’ e tempestades por provocarem os incêndios.

Um dos artigos falsos já foi partilhado mais de 100 mil vezes, segundo a ABC, atingindo quase três milhões de contas de utilizadores no Twitter, com muitas partilhas noutras redes sociais.

Especialistas notam que o problema se agrava quando contas legítimas de utilizadores partilham as notícias falsas, exageradas ou deturpadas.

É o caso de um suposto mapa em 3D da Austrália que procurava ilustrar fogos ativos – e que chegou a ser partilhado em Portugal por contas associadas a partidos políticos – que se comprovou ser falso.

As autoridades alertaram já para o perigo de partilhar informação falsa, especialmente pelo impacto que pode ter em populações diretamente afetadas pelos incêndios.

Os fogos que estão a afetar a Austrália já causaram 25 mortos, a morte de mil milhões de animais e a destruição de 13 milhões de hectares e cerca de 2.000 casas.
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