Covid-19: Escolas de samba brasileiras recusam Carnaval se não houver vacina

Lusa 14 de julho de 2020
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Várias escolas de samba da cidade brasileira do Rio de Janeiro recusaram desfilar no Carnaval de 2021 se ainda não estiver disponível uma vacina contra o novo coronavírus. Brasil tem quase 1,9 milhões de casos neste momento.

Várias escolas de samba da cidade brasileira do Rio de Janeiro recusam desfilar no Carnaval de 2021 se ainda não estiver disponível uma vacina contra o novo coronavírus, avançou hoje o jornal brasileiro O Globo.

Carnaval Rio de Janeiro
Carnaval Rio de Janeiro EPA

As escolas de samba Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Beija-Flor e São Clemente, cinco das 12 principais da capital ‘carioca’, anunciaram ao jornal que vão votar a favor do adiamento dos desfiles numa reunião com dirigentes das escolas de samba da cidade, marcada para hoje.

"É simples, se a vacina não chegar [a tempo do Carnaval, em fevereiro de 2021], não haverá samba. Como podemos reunir multidões sem imunidade coletiva?", disse o presidente da escola São Clemente, Renatinho Gomes.

O prefeito de Salvador, capital da Bahia que organiza uma festa importante de Carnaval que atraem milhares de turistas, propôs um adiamento do Carnaval em todo o país para abril ou junho, mas os líderes das escolas de samba continuam céticos.

"Sem uma vacina é impossível organizar o Carnaval, independentemente da data, em fevereiro ou junho", disse Fernando Fernandes, presidente da Vila Isabel, que teme que uma decisão judicial possa cancelar as festividades no país em cima da hora.

"Existe o risco de fazermos pesados investimentos e ver a curva de contaminação subir novamente mais tarde, o que pode levar o sistema judicial a suspender os desfiles", acrescentou o dirigente da Vila Isabel.

No Carnaval do Rio de Janeiro, um dos maiores festivais populares do mundo, os sumptuosos desfiles das escolas de samba e os seus carros alegóricos no Sambódromo atraem milhares de turistas de todo o mundo.

Cada escola marcha com quase 3.000 membros mascarados, dançando muito perto uns dos outros e cantando ao longo da passagem pela avenida, que dura um pouco mais de uma hora.

"Como vamos fazer isso? A uma distância de dois metros entre os dançarinos? Alguém está cantando com uma máscara?", perguntou Fernando Fernandes.

"Qual seria o peso na consciência de um líder que veria cerca de 50 membros da sua escola morrerem depois de marchar?", acrescentou Elias Riche, presidente da Mangueira.

Duas das vacinas mais avançadas em desenvolvimento no mundo devem ser testadas em milhares de voluntários no Brasil e as previsões mais otimistas apontam para a sua aprovação até ao final do ano e distribuição no início de 2021.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,88 milhões de casos e 72.833 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 573 mil mortos e infetou mais de 13,12 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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