Coronavírus: FMI já recebeu pedidos de ajuda de 20 países africanos

Lusa 26 de março de 2020
Sábado
Leia a revista
Em versão ePaper
Ler agora
Edição de 15 a 21 de abril
As mais lidas

"Até agora, recebemos pedidos de financiamento de emergência de cerca de 20 países, com a expectativa de receber em breve pedidos de ajuda de outros 10 países ou mais", escreveu diretor do departamento africano.

O diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse hoje que já 20 países do continente pediram assistência financeira imediata, acrescentando que mais 10 devem solicitar ajuda para combater a pandemia da covid-19.

crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África
crianças pobreza África

"Até agora, recebemos pedidos de financiamento de emergência de cerca de 20 países, com a expectativa de receber em breve pedidos de ajuda de outros 10 países ou mais", escreveu Abebe Aemro Selassie, num artigo de opinião publicado em conjunto com a assessora Karen Ongley no blogue do FMI.

No texto refere-se que os primeiros acordos financeiros deverão estar assinados no princípio de abril.

"O que começou como uma crise de saúde pública é hoje uma crise económica mundial de grandes proporções, e o nosso receio é que os países africanos sejam duramente atingidos", lê-se no texto, que alerta que as condições dos países africanos são hoje muito diferente das circunstâncias com que enfrentaram a anterior recessão mundial, em 2009.

"Há 10 anos, a região conseguiu ser poupada do pior da crise financeira mundial, com níveis reduzidos de endividamento, a maioria dos países tinha espaço para elevar os gastos e conseguiu implementar medidas de política anticíclicas", lembram os autores, apontando que "os países estavam também menos integrados aos mercados financeiros internacionais e, por isso, a interrupção do financiamento afetou apenas um pequeno número deles".

Hoje, alertam, o panorama é bastante diferente: "Nenhuma dessas condições se aplica à situação atual, já que muitas economias subsaarianas têm margem limitada nos seus orçamentos para elevar os gastos, e são mais dependentes dos mercados internacionais de capitais".

Além das dificuldades de implementar as medidas de 'isolamento social', como por exemplo trabalhar a partir de casa, para impedir o avanço do novo coronavírus, a pandemia terá "um efeito económico substancial na África subsaariana", essencialmente por três razões, dizem os autores.

"Primeiro, as próprias medidas que são críticas para conter a propagação do vírus terão custos diretos para as economias locais", já que vão implicar "menos trabalho remunerado, menos renda, menos gastos e menos empregos".

Em segundo lugar, as adversidades à escala mundial terão repercussões na região: "A desaceleração nas grandes economias provocará uma queda na procura internacional, levando a interrupções na produção e nas cadeias de suprimento globais, que terão um impacto maior sobre o comércio".

No artigo alerta-se ainda que "o aperto das condições financeiras mundiais limitará o acesso ao financiamento, sendo mais provável também que os países experimentem atrasos na realização de investimentos ou projetos de desenvolvimento".

Por último, elencam, o forte declínio dos preços das matérias-primas atingirá duramente os exportadores de petróleo, agravando os dois primeiros efeitos e motivando "um impacto considerável", com as estimativas do FMI a apontarem para que "cada recuo de 10% nos preços resulte, em média, numa redução de 0,6% do crescimento dos exportadores de petróleo e num aumento de 0,8% do PIB dos défices orçamentais globais".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes causadas pela covid-19 em África subiu hoje para 73 com o número de casos acumulados a ultrapassar os 2.800 em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia.

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana
Artigos Relacionados
Investigação
Opinião Ver mais