Brexit pode ser adiado até 2021

Negócios 24 de fevereiro de 2019

Fontes da União Europeia comentaram ao The Guardian que Donald Tusk é favorável a um alargamento do período de negociação se a Câmara dos Comuns continuar a rejeitar o acordo delineado por Theresa May com Bruxelas.

Por David Santiago - Jornal de Negócios

A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) poderá ser adiada até 2021. É este um dos cenários que está a ser analisado pelos responsáveis de topo europeus, avançaram ao The Guardian fontes comunitárias próximas do processo.

Esta possibilidade é colocada numa altura em que a primeira-ministra britânica, Theresa May, ainda não conseguiu ver serem aprovados na Câmara dos Comuns os termos do divórcio.

Várias fontes europeias declaram ao jornal britânico, sob anonimato, que a extensão do período de negociação é uma hipótese favorecida pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, no caso de o parlamento britânico não dar luz verde ao acordo já delineado.

Dar tempo extra ao período inicial de transição de 21 meses (é suposto o Brexit entrar em vigor já em março, para a saída ser depois concretizada a 31 de dezembro de 2020) poderá ajudar o Reino Unido e a UE a definirem os seus planos para a futura relação entre as partes de modo a que se tirem todas as "pedras do sapato".

Além das dificuldades enfrentadas por May na aprovação, "em casa", do acordo delineado com Bruxelas – que já foi alvo de alterações mas que, ainda assim, não mereceu o aval do parlamento britânico –, a primeira-ministra enfrenta também uma nova ameaça à sua autoridade, uma vez que alguns dos seus próprios ministros estão a ponderar votar contra a sua estratégia para a saída do bloco europeu. E isto pode levá-la a decidir-se por os demitir, avançou à Bloomberg, no início desta semana, uma fonte conhecedora do assunto.


No entanto, na sexta-feira, dia 22, o The Guardian avançava que vários membros do governo conservador liderado por May vão tentar forçar a saída da primeira-ministra num prazo de três meses, caso contrário ameaçam com moção de censura. O objetivo é que seja outro primeiro-ministro a negociar a próxima fase do processo do Brexit.

Depois da forte contestação interna que levou ao chumbo do acordo de saída negociado por May com a União Europeia, a primeira-ministra prometeu afastar-se na sequência das eleições gerais previstas para 2022. Contudo, alguns dos mais relevantes membros do executivo não parecem dispostos a esperar até lá.

Ainda assim, os três meses considerados permitiriam que May continuasse como líder do governo até 2 de maio, data de eleições autárquicas no Reino Unido. Resta saber se Theresa May está disposta a ceder tendo em conta a sua pretensão de sair de Downing Street só depois de concluída a saída britânica da UE e de negociados os pressupostos da relação futura Londres-Bruxelas – o que lhe garantiria o pretendido legado político.

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