Bolsonaro: "Eu tomo Coca-Cola, quem quiser tomar cloroquina, toma"

Lusa 22 de maio de 2020
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Presidente brasileiro comparou a marca de refrigerante ao medicamento que o Brasil aprovou para o tratamento de casos ligeiros de covid-19 - mesmo reconhecendo "que a cloroquina não tem comprovação científica".

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou esta quinta-feira que sabe "que a cloroquina não tem comprovação científica", mas defendeu que há muitos relatos de médicos sobre pacientes que tomaram o medicamento e se curaram.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro Lusa

Abordando o protocolo divulgado na quarta-feira pelo seu Ministério da Saúde, que autorizou a administração de cloroquina até para o tratamento de casos ligeiros de covid-19 no sistema público de saúde, Bolsonaro comparou a administração do medicamento ao refrigerante Coca-Cola.

"Alguns [pacientes infetados] morrem, claro, não é todo o mundo que vai tomar o remédio e ficar vivo, mas a grande maioria fica", declarou, acrescentando que a questão em torno do fármaco se tornou numa "luta ideológica".

"Eu tomo Coca-Cola, quem quiser tomar cloroquina, toma", comparou o Presidente do Brasil.

Até agora, o protocolo apenas previa o uso de cloroquina - um medicamento usado para tratar doenças como artrite, lúpus e malária e cujos efeitos em pacientes vítimas da covid-19 estão ainda a ser estudados em diversos países, incluindo no Brasil - em casos graves de infeção pelo novo coronavírus.

Apesar de o Ministério da Saúde indicar que teve em conta "diversos estudos e a larga experiência do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de outras doenças infecciosas e de doenças crónicas no âmbito do Sistema Único de Saúde", não há evidências científicas sobre a eficácia deste medicamento no tratamento da covid-19.

Numa transmissão em direto no seu Facebook, Bolsonaro desvalorizou mais uma vez a pandemia da Covid-19, no dia em que o país atingiu um novo recorde de mortos (1.188 óbitos) e chegou às 20 mil vítimas mortais.

O Brasil registou 1.188 mortos e 18.508 infetados pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando 20.047 óbitos e 310.087 casos diagnosticados desde a chegada da pandemia ao país, informou na noite de quinta-feira o executivo.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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