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Natascha Kampusch: Filhos dos Turpin "devem poder ver os pais"

30.01.2018 17:05 por Mariana Branco
Sequestrada e mantida em cativeiro durante oito anos, Kampusch falou sobre o caso do casal que torturou e prendeu os 13 filhos.
Foto: Getty Images
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natascha kampusch

Natascha Kampusch, sequestrada e mantida em cativeiro durante oito anos, falou agora sobre o caso dos Turpin – que mantiveram presos e torturaram os seus 13 filhos. A austríaca, agora com 29 anos, acredita que as crianças devem manter contacto com os pais.

"Consigo imaginar o que é que as crianças passaram", disse Kampusch numa entrevista ao The Telegraph. "Mas não consigo imaginar porque é que as pessoas fazem coisas como estas", prosseguiu.

Ao falar sobre o que lhe aconteceu, Natascha considerou "horrível" o que aconteceu às crianças que foram acorrentadas pelos pais no número 160 da Rua Muir Woods, em Perris, na Califórnia. Apesar disso, a austríaca acredita que devem poder contactar os pais – a quem foi aplicada uma ordem de restrição que impede que se aproximem dos filhos.

"Eles precisam de encontram uma maneira de ou perdoar os pais ou deixá-los para trás. Vai ajudá-los a começar um processo em que podem lidar com toda a situação e ficarem mais estáveis", reforçou. Os filhos do casal devem "ter a oportunidade de os ver [aos pais] nem que seja só para dizer: ‘Eu odeio-vos, vocês são uns monstros’".

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Natascha não teve essa oportunidade. Oito horas após ter conseguido escapar, Wolfgang Priklopil, o seu sequestrador, suicidou-se ao atirar-se para a frente de um comboio, em Viena.

"Quando me libertei, tive apoio, mas não aquele que esperava", disse a austríaca, explicando que as autoridades não tinham experiência em casos como o dela. A jovem recorreu a uma psicóloga, com quem teve terapia durante dois anos.

A história de Kampusch
Em 1998, quando tinha dez anos, Natascha foi abordada a caminho da escola por Wolfgang Priklopil e levada para dentro de uma carrinha. Em Strasshof, nos subúrbios de Viena, foi mantida em cativeiro durante oito anos e meio – a meia hora de distância da casa onde vivia com os pais.

Priklopil, antigo engenheiro de telecomunicações de 44 anos, fechou a criança numa cave de seis metros quadrados sem janelas, com paredes à prova do som, debaixo da garagem de sua casa.

Com o passar dos anos, enquanto o homem lhe batia e abusava sexualmente dela mas também a alimentava e lia-lhe histórias, Natascha passou a poder sair da cave e limpar a casa do agressor, nua ou seminua.

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Wolfgang Priklopil chegou a levar Natascha numa viagem, ameaçando-a de a matar e à sua família se tentasse fugir.

Em Agosto de 2006, aos 18 anos, a jovem conseguiu fugir. "Por vezes, simbolicamente falando, ele era o meu apoio e, outras vezes, aquele que me batia. No meu ponto de vista a sua morte não era necessária. Ele foi parte importante da minha vida e, por isso, sinto tristeza por ele", disse Natascha nas primeiras declarações que deu após ter fugido.

Especialistas classificaram este sentimento pelo seu agressor como síndrome de Estocolmo, em que a vítima cria laços com o criminoso.


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