Notícia

11 de Setembro de 2001

Os cientistas forenses que abraçam as famílias das vítimas sem nome

11.09.2018 11:03 por Leonor Riso
Apesar de terem passado 17 anos desde que se deu o atentado de 11 de Setembro de 2001, mais de mil vítimas estão por identificar. Mas uma equipa luta por elas.
Foto: Reuters
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A dois quilómetros do que é hoje o memorial das vítimas do atentado de 11 de Setembro de 2001, trabalham os cientistas que há 17 anos lutam para identificar os restos mortais de mais de mil pessoas que ainda não foram devolvidos às famílias. Nos últimos cinco anos, tem sido identificada uma anualmente.

Um dos últimos nomes a ser conhecido foi o de Scott Michael Johnson, de 26 anos. Estava no 89.º andar da Torre Sul, onde trabalhava, quando os dois aviões colidiram com as Torres Gémeas. Em Portugal continental, o choque deu-se cerca das três horas da tarde. Do outro lado do Atlântico, eram quase nove da manhã.

As famílias enlutadas de vítimas do 11 de Setembro passam pelo laboratório do Instituto Médico-Legal de Nova Iorque, para agradecer, quando é dado o nome a mais uma vítima. "É difícil não nos sentirmos emocionados por causa dos abraços e dos agradecimentos", conta Veronica Cano, uma das cientistas forenses. "Sinto-me muito recompensada porque estou a fazer algo por alguém."

Mark Desire
Mark Desire é o líder da equipa forense que está a identificar as vítimas por nomear e vice-director do departamento de biologia forense do Instituto Médico-Legal de Nova Iorque. "Estamos muito próximo das famílias, e isso não é comum para os cientistas forenses. Somos treinados para sermos imparciais, isentos, para não nos emocionarmos. Mas o World Trade Center é diferente", sublinha.

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Charles Hirsch, o homem que pensou no futuro
Hoje em dia, os avanços nas tecnologias de identificação de vestígios de ADN permitem aos peritos identificar mais vítimas. Em 2001, 2.605 pessoas morreram na sequência do atentado às Torres Gémeas.

As mais de mil vítimas sem nome estão a pouco e pouco a recuperá-lo, porque os fragmentos de osso analisados no passado, sem sucesso, estão a dar pistas com as novas técnicas. Tudo se deve a um homem, Charles Hirsch, que pensou no futuro. O antigo director do departamento médico-legal guardou as amostras porque sabia que anos mais tarde, as técnicas avançariam e o ADN poderia ser analisado.

"Se Hirsch não o tivesse feito em 2001, estes restos mortais ter-se-iam continuado a degradar e a decompor, e as identificações com ADN que estamos a fazer este ano não seriam possíveis", salienta Mark Desire.

As novas técnicas têm um nome: protocolo do World Trade Center. Têm sido utilizadas para identificar vítimas de acidentes de comboio e avião e de ataques terroristas. "O osso é o material biológico mais difícil com que se trabalhar. Além disso, quando é exposto a coisas presentes no Ground Zero, como fogo, bactérias, bolor, luz solar, combustíveis, tudo isso destrói o ADN. Por isso temos amostras com uma pequeníssima amostra de ADN", explica Desire.

Como são os ossos analisados? Reduzindo-os a pó. Depois de limpo, o osso é pulverizado e são adicionados químicos. As amostras são de seguida levadas a uma espécie de incubadora e colocadas numa máquina que retira todo o ADN passível de recuperação. Quanto mais um osso é pulverizado, mais aumentam as hipóteses de retirar ADN.

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Os atentados de 11 de Setembro de 2001 cumprem hoje 17 anos. Ao todo, morreram 2.996 pessoas.


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