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Frederico Lourenço traz-nos de novo ao seu coração homérico

28.02.2018 18:00 por Marco Alves
Os três colossos fundadores da literatura ocidental - a Bíblia, a Ilíada e a Odisseia (agora revista e aumentada) - continuam nas mãos de académico português
Foto: Sábado

Quinze anos depois de ter traduzido a Odisseia, Frederico Lourenço regressa à menina dos seus olhos. A palavra regresso surge aqui apenas do ponto de vista do público, porque a paixão (e as exigências da docência) que Frederico Lourenço tem por este livro - ficou bem demonstrado no carinho com que sobre ele falou na apresentação pública - indiciam uma convivência permanente, sem partidas nem regressos. "É um texto que nunca me cansa."

Frederico Lourenço teve em 2016 uma larga visibilidade devido à publicação da Bíblia directamente do grego - um projecto que vai entrar no quarto de seis volumes e que lhe valeu o Prémio Pessoa -, mas as suas incursões helénicas remontam a muito antes. Esta nova tradução da Odisseia vem também do grego, como já tinha vindo a lançada em 2003.

A diferença mais visível será a inclusão de notas, uma necessidade que Frederico Lourenço diz no prefácio ter sentido nos leitores. É sobretudo tornar acessível a todos os conhecimentos que Frederico Lourenço tem sobre a cultura helénica, Homero e a sua obra - de que é um dos grandes especialistas em Portugal.

Esses conhecimentos surgem logo na Introdução, na qual se faz uma breve abordagem ao contexto da Odisseia: quem era Homero (ou se julga que tenha sido), como chegou o poema aos nossos dias, de onde vem a história oral e cantada que o alimenta, que controvérsias académicas giram em torno do livro.

As notas e os comentários após cada canto contextualizam questões linguísticas, geográficas e narrativas (aqui, sinalizando uma outra incongruência, que Lourenço diz estarem muito bem disfarçadas), "assim como a inter-relação da Odisseia com a Ilíada" - a outra obra-prima de Homero, que Lourenço também já traduziu do grego.

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Questões técnicas à parte, porque continuamos a falar da Odisseia? O que aprendemos hoje com este livro? O que traz como lição? "Traz a ideia de que as pessoas são intrinsecamente contraditórias. O herói do poema, por exemplo, é alguém de que dificilmente gostaremos. Teremos admiração por ele, mas dificilmente conseguimos aderir àquela maneira de estar no mundo, que é enfim quase de malandro, que tem uma enorme dificuldade em dizer a verdade. A Odisseia desarruma as nossas ideias sobre o que é humano."

Odisseia, Homero

Odisseia
Homero
Quetzal • 688 págs.
€24,40


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