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Crítica de exposições: Três Estações Nocturnas

05.03.2018 16:00 por Carlos Vidal
Paulo Brighenti expõe na Galeria Baginski, em Lisboa, a sua "pintura de densidades". Leia a crítica de Carlos Vidal
Foto: Sábado

Brighenti é um pintor de densidades, interessado numa pintura mais "corpórea" do que representacional, mesmo na figuração (quase sempre sedimentada em "empastes" que planificam as formas "agarradas" aos fundos, exibindo cromatismos penumbrosos, sombrios). Quando se fala em "peso da noite", no autor, deve ler-se sempre "peso da pintura", densa e em busca de uma luz indefinida. A escolha da encáustica (tinta ou cor misturada em pó de cera) - como "médium" - ligada ao óleo dá a esta pintura uma fixidez formal, que se alarga ao carácter "brutalista" e desfigurado das esculturas. A pintura liga-se ao inexistente.

Concretamente, Brighenti evoca o poeta e resistente Luís Veiga Leitão, autor de Noite de Pedra, pensado e memorizado na prisão e escrito em liberdade. A pergunta que o autor faz é esta, portanto: como figurar este trabalho cego da memória? Este trabalho pictórico denso, mesmo quando produz zonas de luz (Família, 2015), tudo dissolve em manchas sem peso e definição ou gestos esquivos à composição. 

Nota: 4 estrelas

Galeria Baginski
R. Capitão Leitão, 51, Lisboa
Até 10/3 • 3.ª a 6.ª, 14h-19h • Sáb., 14h-20h
• Grátis


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