GPS

Esther Mahlangu: "Pinto para que a tradição não morra"

Começou por pintar murais nas casas da sua aldeia com a mãe e a avó. Fê-lo mais tarde num projecto da BMW, que contou com a participação de Andy Warhol ou David Hockney, e nas caudas dos aviões da British Airways. A octogenária é uma das convidadas da primeira edição do festival Évora África.

Sábado
Leia a revista
Em versão ePaper
Ler agora
Edição de 15 a 21 de abril
As mais lidas GPS
Ágata Xavier 11 de junho de 2018

Quando Esther Mahlangu nasceu, imperavam duas cores na África do Sul: o preto e o branco. "Nunca senti os efeitos do apartheid na minha arte", diz a octogenária, princesa da sua tribo, os Ndebele, debaixo de um sol abrasador. Ainda assim, Esther não tira o seu traje de sempre, um grosso cobertor de lã debruado com contas coloridas: "Comprei o cobertor, mas o resto foi feito por mim." O calor de Évora não a demove de trabalhar e, entre conversas, vai finalizando quadros ou vasos para plantas. São carregados de cor e de formas geométricas, padrões diferentes daqueles que aprendeu a pintar aos 10 anos, quando fazia murais com a mãe e a avó. Na sua tribo, são as mulheres que pintam, sobretudo em alturas de celebração: "Nessa época usava cores mais ocres, que tirávamos da terra ou do estrume de vaca", explica. Só mais tarde é que passou às cores vivas que caracterizam a sua obra - e o seu vestuário. A artista de 82 anos é uma das convidadas da primeira edição do Évora África, festival que decorre de 25 de Maio a 25 de Agosto e trará mais de 150 obras de 30 artistas africanos contemporâneos, oriundos de países como a República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Madagáscar, Mali, Moçambique, Senegal, África do Sul ou Burkina Faso.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
A Newsletter Semanal Gps no seu e-mail
A GPS indica-lhe as melhores sugestões de fim de semana. Receba todas as semanas no seu email. (Enviada semanalmente)