Como reescrever a história de Jesus na era da igualdade

A Igreja regenerou o passado de Maria Madalena, durante séculos retratada como prostituta, e em 2016 reconheceu-a como apóstola. O cinema aproveitou e fez dela a heroína feminista desta Páscoa, rodeando-a de homens incapazes de entender, como ela, as metáforas do filho de Deus

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Rita Bertrand 23 de março de 2018

Por estes dias até os homens - à força de lhes entrar pelos olhos dentro a evidência de que as mulheres são tão capazes, ou mais, que eles - são feministas. Contudo, na Idade Média, a das trevas, aquela em que o Clero, do alto do seu privilégio, foi "cozinhando" a Inquisição, para abusar do poder que já tinha, era preciso mantê-las "no lugar" - ou seja, na devoção cega à família e à vida doméstica. Longe de ideologias, portanto. Logo, uma Maria Madalena nómada, a virar costas aos pais e irmãos para seguir Jesus e a tornar-se a apóstola mais próxima d'Ele, debatendo a fé em Deus e a justiça na Terra com os machos e a pensar pela própria cabeça em vez de se ocupar de marido e filhos, não dava jeito nenhum.

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