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Restaurantes

Zazah, um restaurante que também é uma galeria de arte

10.09.2018 10:29 por Ágata Xavier
O GPS conversou com Sidnei Gonzalez, um dos maiores coleccionadores de arte popular brasileira e sócio do restaurante lisboeta.
Foto: Ágata Xavier
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Foto: Ágata Xavier

Foi quando olhou para as paredes brancas da sua nova casa em Lisboa que decidiu descobrir a arte portuguesa — mais tarde, quando abriu o Zazah, aprofundou essa demanda. "Andava à procura de uma obra de um artista português contemporâneo que estivesse em sintonia com o espaço e acabei por chegar ao Pedro Casqueiro", explica o luso-brasileiro que divide o tempo entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Além de Casqueiro, o Zazah também tem obras de João Louro, José Pedro Croft, da dupla Angela Detanico e Rafael Lain, ou Ascânio.

O Mapa-Vela de João Louro destaca-se na parede do fundo deste restaurante que fica no Príncipe Real, em Lisboa, e faz parte de uma série que o artista criou para representar Portugal na Bienal de Veneza. "Não estamos numa galeria, porque não temos uma conotação comercial da arte, mas num espaço integrado que conjuga arte, gastronomia e vinho", diz Sidnei, que trabalha como consultor na Fundação Getúlio Vargas, uma das maiores empresas de consultoria brasileiras — "Números e projectos são a minha vida".

Este não é o primeiro negócio que tem em Portugal, há cerca de oito anos que tem vindo a investir em imobiliário, e prepara-se para um novo desafio: criar a Cidade do Vinho, um mega-projecto com 35 mil metros quadrados de área que quer reunir os maiores produtores de vinho nacional no Barreiro.

Zazah

Sidnei é casado há 21 anos, tem duas filhas, três empregos e só desliga quando dorme. Colecciona há 25 anos e sempre se interessou por arte popular brasileira, sobretudo de Pernambuco, Alagoas ou Minas Gerais. Daí passou a comprar arte contemporânea brasileira — "muito colorida", diz — com a qual decorou a sua casa em Petrópolis, uma autêntica galeria particular.

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Diz que a paixão pela arte surgiu com o conhecimento, e não por sugestão familiar, e foi descobrindo por si artistas, galerias e galeristas. Fê-lo também em Portugal, onde viria a comprar a sua primeira peça, uma bacia de cerâmica que Cargaleiro fez para a Vista Alegre. "É importante valorizar a arte e o artista. Ontem, por exemplo, fui ao ateliê do João Louro e até acabei comprando uma obra que faz parte de uma série de cinema, em preto e amarelo. Gosto de ter uma relação próxima com o artista", confessa. E conclui: "A arte é um mecanismo de inserção social em qualquer parte do mundo. Até as minhas obras passam a vida viajando." 

Zazah
R. de São Marçal, 111, Lisboa
12h-15h e 19h-24h (5.ª, 6.ª e sáb. até às 2h)
Não fecha
Preço médio: €25


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