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Restaurantes

Os Tibetanos, 40 anos de mantras e refeições

05.03.2018 11:00 por Ágata Xavier
Diz ser o primeiro restaurante vegetariano de Lisboa e celebra quatro décadas. Razão para o visitar e saber mais sobre o Losar, o ano novo tibetano. Bem-vindos a 2145
Foto: Ágata Xavier

No início dos anos 80, os estudantes lisboetas encontraram um novo poiso: Os Tibetanos. Era altura de absorver novas realidades, proibidas num País fechado em ditadura - os novos regimes, incluindo os alimentares, ganhavam adeptos (também a macrobiótica começava a ter expressão) quando uma comunidade budista com 50 crentes decidiu abrir o seu próprio restaurante.
Ficava no último piso do número 117 da Rua do Salitre o Varanda Finisterra. No fim dos anos 90, a afluência ditou que tivessem de descer uns degraus para um espaço maior - e mudaram-lhe o nome. Hoje, além do restaurante, agora no piso térreo, há dois pisos superiores. Num deles está o templo budista onde se reza e pratica ioga e meditação tibetana que, ao contrário das práticas hindus, focadas na elasticidade, se concentram na "dimensão energética do corpo". "A comunidade ganhou muito dinheiro e acabou por fazer um mosteiro no Algarve e ajudar na construção de outro em França", diz Paulo Bengala, que é desde 2010 um dos sócios do restaurante. "O mosteiro fica no Malhão, bem lá no alto, na serra. Tem uma estupa [estrutura arquitectónica religiosa que simboliza a mente de todos os iluminados] que é única em Portugal e tem relíquias no interior como mantras, alimentos e oferendas", conclui.

Decorado nas cores tradicionais do traje tibetano, o açafrão e o bordeaux, o restaurante completou 40 anos no passado 8 de Fevereiro. Dias depois, a 16, estava a celebrar outra data importante, o Losar, o ano novo tibetano - que, por coincidência, calhou no dia do chinês -, bastante mais avançado do que o calendário gregoriano: está em 2145. "No Losar comemos khapse e bebemos chang", diz Dawa Tashi, um dos membros e marido de Phuntsok Dolma, a cozinheira. E explica: "O primeiro é um doce que leva farinha, açúcar, manteiga e óleo de girassol e pode ter uma mensagem no interior. Quando arrefece ganha a consistência de uma bolacha e pode guardar-se durante muito tempo." Já o chang é um parente do saqué, é feito com arroz fermentado, embora, neste caso, se junte cevada e tenha um aspecto leitoso.

O casal vivia exilado na Índia e está em Portugal desde o início dos anos 2000. "A minha mulher voltou lá em 2015 para que o Dalai Lama escolhesse o nome do nosso bebé mas eu não vou desde 2007 porque já me sinto em casa cá", ri. Quando Dalai Lama veio a Portugal pela primeira vez, em 2001, foram Dawa e Phuntsok que cozinharam para ele. Por duas vezes, o líder espiritual escolheu o nome dos filhos do casal sem saber se seriam menino ou menina. "Felizmente, acertou sempre", diz Dawa.

Os Tibetanos têm uma ementa ovolactovegetariana por opção, pois os budistas tibetanos comem carne, sobretudo de iaque, um bovino de pêlo longo que habita a região dos Himalaias - mas só comem os machos. Momos de espinafre e queijo, caril de manga com tofu e gelado de pétalas de rosa com iogurte são as nossas sugestões. 

Os Tibetanos
R. do Salitre, 117, Lisboa
12h15-14h45 e 19h30-22h30 (sáb., 12h45-15h30 e 20h-23h, e dom., 12h45-15h30 e 19h30-22h30)
• €17 (preço médio)

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