Negócio da infidelidade dá milhões

Negócio da infidelidade dá milhões
Raquel Lito 12 de fevereiro de 2020

Sites para amantes funcionam em regime de assinaturas pagas – e não param de crescer. Contam com mais de 300 mil portugueses, cada. Os motéis e clubes de diversão nocturna, como o Elefante Branco, também lucram

Quebrar a rotina do casamento custou-lhe, em números redondos, 10 mil euros - à média de 1.000 por ano. Ao longo de uma década, Rodrigo, pai de dois filhos e casado há cerca de 20 anos, tem sido infiel. A adrenalina é o móbil, com os sites de dating a ajudarem - especialmente os dedicados às relações extraconjugais. É assinante de um deles, o Second Love. "Registei-me pela primeira vez há três anos e reincidi sete vezes. Pago 59,90 euros por dois meses de registo. Compreendo o preço porque filtra muita gente", explica o médico à SÁBADO.

Sente-se protegido, uma vez que ali todos jogam ao mesmo: sedução e cumplicidade sem compromisso. Para não deixar rasto, o membro de 45 anos tem um email para o efeito e no perfil da rede não exibe fotos (como a esmagadora maioria dos restantes). "Com o desenvolvimento da conversa, caso exista sintonia, haverá confiança porque estamos no mesmo barco. Até ao encontro presencial pode ser muito rápido, passados dois dias, ou demorar semanas e meses", diz.

As investidas de Rodrigo decorrem durante o dia, teclando no chat da rede e enviando emails à potencial amante. Se a coisa fluir, encontram-se no motel. Com Manuela não chegou a vias de fato, mas partilham a vontade de "arejar", diz ela. Aos 50 anos, a empresária vai no segundo casamento e recorre ao Second Love para o casting do amante. Pode fazê-lo sem pressas, pois sendo mulher goza da prerrogativa de não pagar assinatura: "As regras estão bem definidas. Quero um casado feliz, que não complique, para salvaguardar os dois lados. Num ano tive mais de 100 interessados, mas ainda não houve química."

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Investigação
Opinião Ver mais