Greve: alunos do Alentejo começam fim de semana mais cedo

Lusa 31 de janeiro de 2020
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"Há aulas que são importantes, mas gostamos sempre de não ter aulas", disse um dos alunos "beneficiados" pela greve.

Com várias escolas sem aulas devido à greve da Função Pública, que impediu a realização das atividades letivas, muitos alunos do Alentejo "entraram" hoje mais cedo de fim de semana, com uma espécie de sentimento agridoce.

"Há aulas que são importantes, mas gostamos sempre de não ter aulas", disse à agência Lusa Diogo Matos, aluno do 9.º ano da Escola Secundária André de Gouveia (ESAG), em Évora.

Neste estabelecimento de ensino, uma das escolas da cidade onde hoje não há aulas, por causa da greve, a Lusa falou, esta manhã, com alguns alunos que ainda se encontravam na zona.

Diogo, de 16 anos, foi um deles e, questionado sobre o facto de não ter aulas esta sexta-feira e começar mais cedo o fim de semana, frisou não estar "triste nem contente".

Já Beatriz Alcaparra, de 15 anos, aluna do 10.º ano da mesma escola, admitiu que "preferia ter aulas agora", porque, de qualquer forma, "terão de ser repostas até julho".

Enquanto esperava à porta da ESAG pela "boleia" de um familiar, Beatriz disse que ia para casa, mas sublinhou que o dia ia ser "chato", por não ter nada programado.

A Lusa constatou também esta manhã que a Escola EB1 do Rossio, também em Évora, tinha pouco movimento por volta das 8h30, ao contrário "corrupio" dos dias normais de aulas.

Por estar a chover, os pais paravam o carro junto à entrada da escola e uma funcionária avisava-os de que não havia aulas, por causa da greve.

Alguns nem sequer se dirigiram à escola, uma vez que, pelo menos um professor avisou na véspera que iria aderir à greve, pelo que, não haveria aulas, indicou à Lusa o encarregado de educação de uma das crianças.

A cerca de 30 quilómetros de Évora, em Viana do Alentejo, o cenário foi semelhante à porta da Escola EB 2,3 Dr. Isidoro de Sousa, frequentada por mais de 400 alunos, em conjunto com o centro escolar do complexo (1.º ciclo com jardim-de-infância).

Ao contrário do habitual "para e arranca" dos automóveis, para os pais deixarem os filhos à porta da escola, o ambiente era calmo.

A chuva miudinha tirava a vontade de sair do respetivo carro, os poucos pais que passaram pela escola, baixaram o vidro, reduziram a velocidade e perguntaram, de longe, a uma funcionária, se havia aulas, voltando a acelerar com a "luz verde" para irem embora.

A Lusa constatou que muitos pais e alunos até já deviam saber deste facto de antemão, porque os autocarros que transportam os alunos vindos de localidades vizinhas, como S. Bartolomeu do Outeiro, Alcáçovas ou Alvito, chegaram hoje vazios.

Maria Gertrudes e o marido é que pararam o carro em frente ao portão para deixarem o filho, Eduardo, aluno do 8.º ano, que tinha marcado para hoje teste de Físico-Química, mas foram informados pela diretora da escola, que se encontrava no exterior, de que não havia aulas, por falta de funcionários.

"Não causa muito transtorno porque ele já é grande, tem 13 anos, e vai para casa. Nós temos uma loja e trabalhamos mesmo ao lado de casa e ele já fica orientado sozinho", afirmou a mãe, enquanto Eduardo admitiu à Lusa que o facto de não realizar o teste hoje "até dá jeito para estudar" um pouco mais.

Contactado pela Lusa, o Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) indicou diversas escolas situadas nos distritos de Évora, Portalegre e Beja também sem aulas.

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 06 de fevereiro.

O Governo propôs aumentos salariais de 0,3% para a função pública e chegou a dar a negociação por encerrada, mas a responsável pela pasta, a ministra Alexandra Leitão, voltou a convocar as organizações sindicais para reabrir o processo negocial, uma reunião que está marcada para 10 de fevereiro, após a votação do OE2020.

A decisão não foi suficiente para travar a paralisação.

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