Covid-19: Medidas de apoio deixam empresas em posição "mais fragilizada"

Lusa 29 de junho de 2020
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António Saraiva considerou que, à exceção do 'lay-off' simplificado, as medidas do Governo de apoio às empresas "ou aumentam o endividamento ou acarretam encargos pesados".

O presidente da CIP -- Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, disse hoje que as medidas do Governo de apoio às empresas aumentam o endividamento ou acarretam "encargos pesados", que as vai colocar numa "posição mais fragilizada".

presidente da Confederação Empresaria de Portugal (CIP), António Saraiva
presidente da Confederação Empresaria de Portugal (CIP), António Saraiva MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

António Saraiva, que falava esta manhã na conferência "Sinais Vitais -- Aceleração Rumo ao Futuro", no ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa, considerou que, à exceção do 'lay-off' simplificado, as medidas do Governo de apoio às empresas, face aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia, "ou aumentam o endividamento ou acarretam encargos pesados" num futuro próximo.

"O endividamento colocará as empresas numa posição mais fragilizada", considerou o presidente da CIP.

Para o representante das empresas, há que acautelar situações em que as empresas sobrevivem à pandemia, mas ficam em dificuldades financeiras que as impedem de investir.

Assim, para a CIP, devem ser adotadas medidas com vista à capitalização das empresas, sugerindo a criação de um fundo de fundos, com três mil milhões de euros, disponíveis através dos fundos de capital de risco.

A CIP propôs ainda a criação de garantias de Estado em incentivo não reembolsável, o reforço do capital de risco, a ampliação dos incentivos fiscais a capitalização, o reforço das linhas de crédito, os pagamentos a pronto por parte do Estado, o apoio do Estado nos seguros de crédito, tanto na exportação como no mercado interno, e o "forte apoio" governamental à formação "em larga escala" dos trabalhadores, para que aumentem as suas competências e se tornem mais competitivos no mercado de trabalho.

"É preciso agora evoluir rapidamente para um verdadeiro programa de recuperação mais ambicioso", defendeu António Saraiva.

O presidente da CIP considerou ainda que a pandemia gerou um "importante alerta" para excessivas dependências criadas pela globalização, destacando a necessidade de garantir que, no futuro, as cadeias de abastecimento estejam mais próximas dos locais de consumo, bem como reduzir a "dependência excessiva da China".

Quanto à resposta da Comissão Europeia àquilo que classificou como a "maior queda da atividade económica" de que há memória, Antónia Saraiva considera-a de "dimensão apreciável".

O responsável acrescentou que Portugal tem a oportunidade de recorrer em breve a um montante "muito considerável" e, como tal, entende ser tempo de repensar o programa nacional de investimentos, definindo, desde já, estratégias de políticas públicas e estratégias empresariais.

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