Covid-19: Hungria diz que plano da UE põe países pobres a financiar mais ricos

Lusa 29 de maio de 2020
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Viktor Orbán descreveu o plano de reconstrução proposto pela Comissão Europeia como "absurdo e perverso".

O ultranacionalista primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, descreveu esta sexta-feira o plano de reconstrução proposto pela Comissão Europeia como "absurdo e perverso", considerando que serão os países pobres da União Europeia que vão financiar os países mais ricos.

REUTERS/Ints Kalnins

"O novo sistema de distribuição [do investimento] é absurdo e perverso, porque dedica mais fundos aos países mais ricos. Algo está errado. Não é uma boa ideia para os países mais pobres financiar os países mais ricos", disse Orbán em declarações à rádio pública Kossuth.

"Não rejeito (o plano), mas é necessário analisá-lo com calma. Esta proposta inclui a distribuição de dinheiro. Isso geralmente significa apoiar os mais pobres", ou seja, "todos contribuem e depois apoiam-se os mais pobres", defendeu.

A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira um plano para relançar a economia da União Europeia (UE) após a pandemia da covid-19, que tem como base a criação de um Fundo de Recuperação de 750.000 milhões de euros financiados através de emissão de dívida comum.

Desse montante, 500 mil milhões serão desembolsados através de subvenções a fundo perdido e 250.000 milhões como empréstimos reembolsáveis.

Segundo Orbán, "a criação [desse fundo de] 750.000 milhões não será feita com trabalho, mas sim através de empréstimos", o que "faz acender uma luz vermelha" de perigo.

"Além disso, não só pedimos um empréstimo todos juntos, mas também damos garantias conjuntas de que o vamos pagar", alertou.

De acordo com o plano, a Hungria recebe cerca de 8,1 mil milhões de euros em subvenções do novo fundo e outros 6,9 mil milhões em empréstimos.

Os países mais beneficiados são a Itália e a Espanha -- dois dos mais afetados pela pandemia -, já que recebem ajuda não reembolsáveis de 81,8 mil milhões e 77,3 mil milhões de euros, respetivamente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 357 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.369 pessoas das 31.596 confirmadas como infetadas, e há 18.637 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,6 milhões, contra mais de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 153 mil, contra mais de 175 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num "grande confinamento" que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

O "Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já a Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3%.

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