BE ataca PS: “Voltar atrás com a palavra é o pior" da política

Cátia Andrea Costa 27 de novembro de 2017

PS votou contra as taxas sobre as empresas produtoras de energias renováveis, ao contrário do que tinha acordado com o BE.

O debate final do Orçamento do Estado para 2018 vai ficar marcado por notórias e públicas brechas entre PS e Bloco de Esquerda por causa da taxa sobre as empresas produtoras de energias renováveis. A medida poderia dar uma receira de 250 milhões de euros e tinha sido acordada entre socialistas e bloquistas na sexta-feira. Mas o PS pediu avocação da medida (nova votação) e já revelou que mudou o sentido de voto - mas só depois do BE insistir. 

"Encontrámos o que de pior há na política. Voltar atrás com a palavra dada é o pior que a política pode dar às pessoas, e não podemos aceitá-lo", disse o deputado bloquista Jorge Costa, logo na primeira intervenção. "No vosso voto está a vossa representação", sublinhou, questionando: "Quem vão representar hoje: os portugueses que pagam a mais alta fatura da eletricidade da Europa ou o lobby"? Para Jorge Costa, "há um milagre a acontecer a favor dessas empresas em Portugal". 

O PS não respondeu directamente aos bloquistas, numa primeira resposta, e não deu então qualquer pista sobre o sentido de voto que terá. Coube ao deputado socialista Luís Teta tomar a palavra depois da intervenção do BE, tendo optado por enumerar todas as mudanças feitas pelo Governo no sector da energia, que permitiram reduzir o défice tarifário de 5 mil milhões para 3,6 mil milhões de euros: redução das taxas de certificação energética, autorização para novos parques eólicos e tarifas solidárias para quem usa gás de botija. 

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