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Greve nos supermercados: “Há muitas situações de burnout e exaustão”

12.09.2018 07:00 por Leonor Riso
Protesto dos trabalhadores dos hipermercados, supermercados e outros estabelecimentos da grande distribuição ocorre durante o dia inteiro. Sindicato quer maiores salários e respeito pelos horários sem "chantagem". Empresas negam bloqueio às negociações - que duram há 23 meses.
Foto: Lusa
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Esta quarta-feira, ocorre durante todo o dia a greve dos trabalhadores dos hipermercados, supermercados e outros estabelecimentos da grande distribuição. Apesar de as negociações entre patrões e sindicatos decorrerem há 23 meses, ainda não foram conquistadas as reivindicações.

Representantes das empresas negam a existência de qualquer bloqueio nas negociações do Contrato Colectivo de Trabalho, mas o protesto dos funcionários manteve-se.

"Temos feedback de uma grande adesão", salienta à SÁBADO Célia Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP). "Em algumas lojas com menos funcionários e sem atendimento automático, como o Minipreço, o Lidl, ou o Dia, pode causar uma maior perturbação ao serviço."

"Há muitas situações de burnout e exaustão, muitas baixas médicas. As empresas registam o absentismo na ordem dos 30% e na maioria, é com baixas psiquiátricas. As que não o são, relacionam-se com acidentes de trabalho ou doenças profissionais", lamenta.

As regras dos horários não são cumpridas pelas empresas, acusa o CESP. Os funcionários pedem para conseguir ter mais fins-de-semana livres e menos alterações de última hora nos seus horários, para conseguir conciliar a vida profissional e a pessoal. "O funcionário fica numa situação difícil: ou cumpre o horário de trabalho, ou dá assistência aos filhos. Os trabalhadores estão a ser confrontados com ter que optar entre os dois", diz Célia Lopes.

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Outra crítica é a de as lojas aumentaram o horário de abertura, mas não reforçarem o pessoal. Em posição oficial, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) "refuta as razões das paralisações e manifestações convocadas pelos sindicatos".

O que pedem os funcionários dos supermercados?
O CESP pede o aumento de salários, o fim da tabela mais favorável, a A, nos concelhos de Lisboa, Porto e Setúbal, e a equiparação da carreira dos operadores de armazém à dos operadores de loja.

Em Agosto de 2018, os operadores de loja em topo de carreira ganhavam €585,99 mensais com a tabela B. Com a A, ganham €626,79. Para o CESP, "não faz sentido" que não haja aumentos salariais nem duas tabelas porque nem o dinheiro gasto pelas cadeias com folhetos promocionais "é o mesmo" e a derrama e o preço do metro quadrado "é mais barato" nos outros concelhos que não Lisboa, Porto e Setúbal. A representante sindical frisa ainda que em 2015 e 2016 foram gerados mais de 400 milhões de euros de lucro no sector da grande distribuição.

Quanto à questão dos operadores de armazém, "podem ter 30 anos de casa e recebem sempre o salário mínimo nacional" por "não terem carreira". "Se o trabalho é igualmente qualificado como o das lojas, porque não é igualmente valorizado?", questiona Célia Lopes.
A APED ofereceu abertura para criar uma carreira aos operadores de armazém, mas pediu em troca a redução do valor pago pelo trabalho suplementar. "É uma chantagem", acusa o CESP.

E o que respondem as empresas?
Em reacção, os representantes das empresas de grande distribuição garantem que sempre estiveram disponíveis para "dialogar com os trabalhadores e apresentou soluções em sede própria de negociações, no Ministério do Trabalho".

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"Destaca-se, por exemplo, uma proposta de revisão das tabelas salariais que, aliás, veio a corresponder às expectativas dos sindicatos", afirmam. "A APED considera, por isso, ainda mais incompreensíveis as manifestações e paralisações convocadas pelos sindicatos, acreditando que dificultam a criação de um clima de consenso, conciliação e compromisso."

A APED defende que as negociações se devem manter no seio do Ministério do Trabalho. No dia 14, os dois lados dos super e hipermercados vão reunir-se.


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