O coronavírus pode espalhar-se através da poluição do ar?

O coronavírus pode espalhar-se através da poluição do ar?
Diogo Camilo 24 de abril de 2020

OMS diz que o vírus não sobrevive no ar, mas estudos detetaram Covid-19 em partículas da poluição atmosférica e um maior risco de insuficiência respiratória em zonas mais poluídas de Itália e China - o que sugere um risco de infeção pela via aérea, ainda que mínimo.

A Covid-19 já chegou a 185 países e regiões mas a questão permanece: o vírus sobrevive no ar? A Organização Mundial de Saúde já veio dizer que não mas um novo estudo detetou o novo coronavírus em partículas de poluição atmosférica, sugerindo um risco de infeção pela via aérea, ainda que mínimo.

O trabalho realizado por investigadores da Universidade de Bolonha na cidade italiana de Bérgamo, uma das mais afetadas pelo coronavírus, é ainda preliminar, não esclarecendo se, em quantidade suficiente, estas partículas podem causar uma infeção da Covid-19.

Publicado na medrixv, o estudo serve de primeira prova de que o material genético da Sars-CoV-2 pode ser transmitido no exterior, sendo agora necessários mais estudos para descobrir quanto tempo o coronavírus consegue permanecer vivo no ar, tal como para perceber se a sua virulência pode ter absorvida por partículas - deste caso, da poluição.

Na análise realizada por investigadores italianos foram encontrados altos níveis de poluição de partículas com tamanhos mínimos, que podem explicar as altas percentagens de infeção no Norte de Itália - uma das regiões mais poluídas da Europa.

E a pesquisa destes cientistas não é um fenómeno isolado. Pelo menos mais dois estudos concluem o mesmo.

Uma investigação publicada na revista científica The Journal of Infection sugere ligações entre poluição regional e a Covid-19, com associações entre situações de insuficiência respiratória severa aguda observadas em 10 a 20% da população infetada pela Covid-19 em Pequim  - e a poluição atmosférica observada na capital chinesa. 

O estudo, que estabelecia uma relação entre a situação da China e de Itália, indicava também que partículas com um diâmetro menor a 2,5 micrómetros e moléculas como o dióxido de enxofre (SO2), o dióxido de azoto (NO2), o monóxido de carbono (CO) e o ozono (O3) podiam, todas elas, elevar a suscetibilidade a infeções respiratórias virais. 

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Opinião Ver mais