Maioria dos recuperados perde anticorpos à covid-19 em dois meses

Maioria dos recuperados perde anticorpos à covid-19 em dois meses
Diogo Camilo 23 de junho de 2020

Presença de anticorpos não é sinónimo de imunidade, mas a longa vida deste tipo de defesas contra o novo coronavírus é uma miragem. Estudos apontam que níveis de anticorpos descem rapidamente após a recuperação e desaparecem mais facilmente em indivíduos assintomáticos.

Seis meses após o início da pandemia, várias dúvidas acerca da covid-19 e do seu vírus, o SARS-CoV-2, impedem um verdadeiro regresso à normalidade social e económica. A resposta terá de ser feita através de uma vacina mas, sem ela, a chave do combate ao novo coronavírus está no sistema imunitário e, em particular, nos anticorpos que produzimos para responder a novas infeções. Mas anticorpos não são sinónimo de imunidade e a sua duração pode ser ainda menor do que pensávamos.

Mesmo que os estudos conhecidos sejam apenas preliminares ou limitados, deduz-se já que os anticorpos à covid-19 não tenham grande vida, particularmente no caso de pessoas infetadas que tiveram sintomas leves do novo coronavírus – ou até nenhum sintoma.

Uma pesquisa realizada por várias instituições chinesas do distrito de Wanzhou, na China, e divulgada na passada semana pela revista científica Nature Medicine debruçou-se sobre as diferenças na quantidade de anticorpos entre indivíduos com sintomas e assintomáticos, concluindo que, de maneira geral, pacientes sem sintomas apresentavam "resposta imunitária menor" e níveis de anticorpos "consideravelmente mais baixos" em relação a sintomáticos durante a sua fase mais aguda de infeção.

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