Covid-19: "O SNS afirmou-se como elemento central no setor público"

Covid-19: 'O SNS afirmou-se como elemento central no setor público'
Diogo Barreto 12 de maio de 2020

Pedro Pita Barros deixa elogios à atuação do SNS, mas recorda que a reação não foi perfeita, alertando ainda para o perigo do controle dos movimentos dos cidadãos através de "apps".

Dois meses depois do primeiro caso de infeção por coronavírus em Portugal, o economista especializado na área da saúde Pedro Pita Barros faz um balanço sobre a atuação do Serviço Nacional de Saúde face a esta pandemia que já causou a morte a 1.144 pessoas, em Portugal. O diretor científico do Health Economics and Management Knowledge Center da faculdade Nova SBE revela ainda que estão a ser desenvolvidos estudos sobre a monitorização de cidadãos em situação de pandemia, mostrando-se preocupado com as linhas de liberdades individuais que se podem pisar em nome da segurança.

O economista considera ainda que esta pandemia vai forçar a que sejam feitas alterações no SNS, mas assume que foi reforçada "a sua imagem como elemento de coesão nacional".

Portugal tem sido apontado internacionalmente como um caso de sucesso no exterior. Somos mesmo?

Depende do que se chama "sucesso". Tomando sucesso como conseguir tratar os casos necessários evitando mortes adicionais por sobrecarga do sistema de saúde, então sim, Portugal pode ser apontado como um caso de sucesso. Estabelecer um sucesso em termos de número de mortes evitadas e de pessoas infectadas não é ainda possível fazer, só no final. Em termos de mortalidade, é preciso pensar na população em risco, e o que se conseguiu evitar - mas esses cálculos não são directos e as comparações internacionais de número de óbitos (total ou per capita) traduz muito pouco por não atender a que parte da população está de facto em risco em cada país. Quanto ao número de pessoas que contraiu a COVID-19, as comparações ainda são mais incertas devido aos casos sem sintomas e não detectados.

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