Covid-19: Diocese da Guarda admite dificuldades financeiras nas paróquias mais pequenas

Lusa 24 de abril de 2020
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Ecónomo diocesano António Carlos Gonçalves defende que não se justifica a aplicação de lay-off porque "as fábricas das igrejas não são propriamente empresas".

A Diocese da Guarda admitiu, esta sexta-feira, que as paróquias mais pequenas podem vir a ter dificuldades financeiras por as celebrações estarem suspensas devido à pandemia da covid-19 e colocou de parte um eventual recurso à medida de 'lay-off'.

Nuno André Ferreira
Nuno André Ferreira Largo da Igreja da freguesia de Castelo Mendo, Almeida, Guarda

"[A situação] vai trazer muitos constrangimentos, porque há muitas comunidades que viviam na 'linha de água', porque são comunidades do interior [do país] e com pouca gente e, por isso, os peditórios e os donativos eram singelos e humildes", disse à agência Lusa o ecónomo diocesano António Carlos Gonçalves.

O responsável indicou que as receitas de "quatro ou cinco paróquias" davam, até ao momento, para pagar ao respetivo pároco "o equivalente ao ordenado mínimo".

Numa Diocese como a da Guarda, situada no interior do País, onde "os fundos são sempre magros", o cónego considera "normal que haja dificuldades e comunidades que vão passar por dificuldades, especialmente os párocos".

Segundo o sacerdote, a Cúria Diocesana da Guarda tem cinco trabalhadores afetos e "não se justifica [a aplicação da medida de] 'lay-off'", tal como em relação aos sacerdotes, porque "as fábricas das igrejas não são propriamente empresas".

"Estes tempos são para todos de igual forma. Deus não faz exceção de pessoas e, por isso, toca-nos a todos de igual maneira. Por isso, temos que, naquilo que nos compete, fazer e trabalhar conforme devemos e partilhar, tal como nos é exigido, pelo próprio sentido social e humano de solidariedade e de altruísmo, uns com os outros e, depois, também olhar para aqueles que têm maiores dificuldades", disse.

O ecónomo diocesano considera que deve existir "a partilha dentro da própria Igreja, não só as paróquias e as comunidades, mas também as próprias Dioceses".

Na sua opinião, as Dioceses, "umas com as outras, devem procurar a partilha, procurando que todos tenham aquilo a que se chama o suficiente para manter a sua dignidade de seres humanos".

António Carlos Gonçalves defende que as instituições "têm que aprender a ser solidárias", ou seja, aquelas que são mais abastadas devem partilhar com as que têm mais dificuldades, e as comunidades com mais recursos "têm que partilhar com aquelas que são mais pobres".

"Temos que começar, por dentro da casa, a viver aquilo que é o espírito da própria pregação que Jesus [Cristo] nos deixou", afirma.

A Diocese da Guarda tem uma área de 6.759 quilómetros quadrados e uma população estimada em 250.000 habitantes, abrangendo paróquias dos distritos de Guarda, Castelo Branco e Coimbra.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 720 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 854 pessoas das 22.797 confirmadas como infetadas, e há 1.228 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo anunciou hoje a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 01 a 03 de maio.

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