Covid-19: pacientes nos cuidados intensivos sofrem de delírio

Covid-19: pacientes nos cuidados intensivos sofrem de delírio
Diogo Barreto 03 de julho de 2020

Alucinações paranóicas podem atrasar a recuperação dos pacientes e aumentar risco de outras doenças posteriores, como depressão ou lesões cerebrais. Pacientes chegam a arrancar os tubos.

Pacientes com covid-19 internados nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) sofrem muitas vezes de alucinações e delírios. Estes sintomas não são os mais comuns da doença provocada pelo vírus SARS-CoV-2, mas são das mais preocupantes, já que podem aumentar o tempo necessário para a recuperação do doente e levar a outras patologias, como a depressão, ou causar lesões cerebrais.

Um estudo da Universidade de Oxford revela que 20% a 30% dos pacientes experimentam algum delíro (associado muitas vezes a febre), valor que dispara para os 60%-70% nos internados nas UCI. Há relatos de pacientes que alucinaram com estarem a ser expostos a tratamentos torturosos, tendo arrancado os tubos de ventilação, arrancado linhas intravenosas e tentado fugir daquelas unidades. Ao início, como revela o estudo da universidade britânica, pensava-se que apenas os pacientes mais idosos sofriam deste sintoma e que a grande maioria já apresentava sintomas de demência. No entanto, têm sido cada vez mais comuns as alucinações entre pacientes mais novos, alguns deles com menos de 40 anos.

O estudo aponta para um fenómeno chamado "delirium" (síndrome neuropsiquiátrica transitória e flutuante com início súbito frequente nos doentes internados, em particular na população geriátrica e paliativa), segundo um estudo publicado na Acta Médica Portuguesa em 2018. Hospitais de todo o mundo tomaram precauções para diminuir os efeitos desta condição. No entanto, muitos médicos têm referido que a pandemia apagou todos os cuidados devido ao caos criado nestas unidades. Em declarações ao jornal norte-americano The New York Times, Wesley Eli, um dos criadores de um guia hospitalar para diminuir os casos de delirium, referiu que "tudo foi apagado pela covid-19".

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