ADN revela gosto por vegetais

Como comer vegetais influencia... os seus futuros netos
Raquel Lito 31 de julho de 2016

O gene de nome esquisito é particularmente activo no Sul da Ásia. São gerações e gerações a consumir verdes e a adaptar o código genético à dieta

Vegans, macrobióticos e restantes amigos das dietas verdes: esta notícia interessa-vos especialmente. O consumo de vegetais ao longo de gerações pode ter uma influência determinante no código genético. Por outras palavras, existe um gene vegetariano (na terminologia científica chama-se alelo) em algumas populações que, tradicionalmente, seguem este regime alimentar. Dito ainda de outra maneira, é este alelo que ajuda a converter de forma eficiente os nutrientes de origem vegetal em ácidos gordos polinsaturados, ómega 3 e ómega 6. Daqui resultam benefícios, como o reforço da capacidade metabólica, o controlo de inflamações, desenvolvimento e actividade cerebral.

Agora a parte má: o gene, que os cientistas estimam ter mais de 100 mil anos, pode ser prejudicial para os consumidores de carne e de grandes quantidades de óleos vegetais, uma vez que desencadeia a multiplicação descontrolada de células e provoca inflamações.

Os vegetarianos também podem sofrer consequências nefastas, caso não tenham este elemento no seu ADN. "Não se adaptam bem à dieta e são menos propensos a ter filhos", diz à SÁBADO um dos maiores especialistas na área, Calvin Kaixiong, da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, Estados Unidos. O investigador é co-autor de um estudo pioneiro sobre o tema, publicado recentemente na revista científica Molecular Biology and Evolution.

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