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// Clima
Milhares de cientistas concordam: o ser humano continua a destruir os recursos naturais e as espécies. Os valores são alarmantes.
Estão em curso danos ambientais "substanciais" e "irreversíveis" na Terra. A revelação é feita num artigo da revista BioScience assinado por cerca de 15 mil cientistas de 184 países, entre os quais mais de 200 portugueses. Os principais efeitos desta destruição são a desflorestação, a extinção de espécies, o aumento da temperatura e as emissões de dióxido de carbono (CO2) que este ano devem atingir um pico nunca antes visto. O artigo foi elaborado por uma equipa internacional coordenada por William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon (EUA), e intitula-se Cientistas do Mundo Alertam a Humanidade: Um Segundo Aviso.
Em 1992 mais de 1.700 cientistas de todo o mundo assinaram um artigo intitulado Alerta dos Cientistas do Mundo à Humanidade que afirmava que "os seres humanos e o mundo natural estão em colisão". "As actividades humanas causam danos severos e, por vezes, irreversíveis no ambiente e nos recursos", indicava o documento.
Os cientistas pediram que se "estabilizasse a população", que fossem controladas as actividades mais prejudiciais para o ambiente e ainda que os países mais desenvolvidos reduzissem os seus hábitos de consumo excessivo. Este foi o primeiro aviso. O segundo é assinado por aproximadamente nove vezes mais cientistas e os dados apresentados são bastante mais preocupantes.
Acompanhado por nove gráficos, todos mostram crescimentos negativos, excepto quatro: o número de zonas mortas nos oceanos (que aumentou significativamente), a população de animais ruminantes e de seres humanos, as emissões de dióxido de carbono e ainda a temperatura do planeta. Todos estes indicativos crescentes representam um problema ambiental.
Quanto aos gráficos negativos? Há menos água doce per capita, menos peixe selvagem capturado, menos 121 milhões de hectares de floresta, uma redução acentuada nos animais vertebrados e menos reflectores de CO2. Quanto à redução dos animais vertebrados, os cientistas avisam para "uma nova extinção em massa, a sexta em cerca de 540 milhões de anos" que pode levar ao fim de muitas formas de vida, até ao final do século.
Este documento foi publicado durante a semana em que decorre uma conferência sobre o clima da ONU, na Alemanha. Na conferência do clima, até 17 de Novembro, discute-se o que cada país está a fazer para cumprir o Acordo de Paris. A reunião acontece pouco depois de sair um estudo que mostra que as emissões de CO2 vão estar mais altas do que nunca. Segundo as estimativas vão ser emitidas para a atmosfera de 37 gigatoneladas (37.000.000.000.000 toneladas) de CO2. Um aumento de cerca de 2% das emissões comparativamente a 2016. Os principais causadores deste aumento são a Índia e a China. Tanto a UE como os EUA registaram uma redução na quantidade de emissões poluentes.
William Ripple disse em comunicado que os cientistas "analisaram dados e olharam para as consequências a longo prazo. Quem assinou este segundo aviso não está a levantar um falso alarme. Está a reconhecer os sinais óbvios de que estamos a ir num caminho insustentável", argumenta o professor universitário.
O novo artigo deixa, no entanto, alguns avisos positivos. Segundo os cientistas nalgumas zonas do planeta verifica-se uma descida das taxas de fertilidade, devido ao investimento na educação. Há ainda um crescente uso de energias renováveis e nota-se também um abrandamento da desflorestação em algumas áreas do planeta. Houve ainda uma redução de substâncias químicas que destroem a camada de ozono.
A diminuição do buraco na camada de ozono - essencial para a manutenção da vida na Terra - foi um dos grandes objectivos do Protocolo de Montreal, em que mais de 150 países comprometeram-se a substituir essas substâncias que causavam uma destruição dessa mesma barreira, lembra o jornal Público. Este mês, a NASA revelou que o buraco da camada de ozono está bem mais pequeno, a um nível só comparável ao de 1988.
O artigo termina deixando algumas sugestões: promover tecnologias verdes, voltar a tornar naturais as regiões com espécies nativas, criar reservas marinhas e terrestres, leis mais fortes contra a caça furtiva e o desenvolvimento de políticas para se combater a perda de biodiversidade.
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