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Qualidade dos vinhos da Casa Ermelinda Freitas premiada cá e lá fora

Em ano de confinamento, a empresa conseguiu alcançar quase 200 prémios em concursos nacionais e internacionais de vinho, que atestam a qualidade dos produtos que põe no mercado

24 Setembro 2020 13:06

A Casa Ermelinda Freitas foi premiada com 15 Medalhas no Concurso Mundial de Bruxelas (CMB) 2020, que se realizou no início de setembro em Brno, na República Checa. Entre elas destaque para a Grande Medalha de Ouro obtida pelo RockSand Shiraz 2018, distinção alcançada por menos de 1% dos vinhos a concurso.

O CMB é uma competição internacional que se realiza há mais de 20 anos, em que participaram vinhos de todo o mundo. Este ano foram avaliados por um júri constituído por 320 especialistas de 50 países, que provou, durante três dias, 8500 amostras de 46 países produtores.

A Casa Ermelinda Freitas já obteve 187 medalhas em concursos nacionais e internacionais em 2020. Destaque para o prémio de Best Of Show Península de Setúbal, atribuído ao vinho Vinha do Fava Touriga Nacional 2018 no concurso Mundus Vini 2020 – Edição verão, no qual a empresa alcançou nove medalhas de ouro e duas de prata. Também para as três ProdExpo Star alcançadas pelas referências Vinha da Valentina Reserva Signature, Vinha do Fava Touriga Nacional 2018 e Valoroso Chardonnay 2018, na competição realizada durante a feira ProdExpo 2020, que decorre anualmente na Rússia. No XX Concurso de Vinhos da Península de Setúbal, o Casa Ermelinda Freitas Moscatel Superior de Setúbal Roxo 2010 recebeu as distinções de O Melhor Vinho e de O Melhor Vinho Generoso. O Dona Ermelinda Branco Reserva 2018 foi considerado O Melhor Vinho Branco.

Melhor produtor europeu 2020

No início deste ano, a empresa já tinha sido eleita Produtor Europeu 2020 no Sommelier Wine Awards, em Inglaterra, pelo segundo ano consecutivo. "É a primeira vez que esta distinção é atribuída duas vezes consecutivas a um produtor de vinhos tranquilos português", revela, com orgulho, Leonor Freitas, presidente da empresa.

A competição premeia os melhores vinhos disponíveis nos restaurantes, bares e hotéis do Reino Unido, selecionados por um júri de 150 escanções. No evento, a Casa Ermelinda Freitas conquistou 12 medalhas, entre as quais quatro de ouro, seis de prata e duas de bronze. A grande novidade foi o ouro alcançado pelo vinho Campos do Minho, do mais recente projeto da empresa, a Quinta do Minho, na Região dos Vinhos Verdes. "Esta distinção recompensa o empenho de toda a equipa e mostra, mais uma vez, que estamos no caminho certo", diz Leonor Freitas.

RockSand Shiraz 2018 é Grande Medalha de Ouro

A marca foi criada pela empresa apenas para ser comercializada no mercado externo, "no qual se tem vindo a implementar com grande sucesso", salienta Jaime Quendera, o enólogo da casa. "Provém de uvas muito maduras e é um vinho fino, cheio e elegante, com um estilo internacional como os grandes vinhos do chamado Novo Mundo", acrescenta. A sua qualidade foi premiada recentemente com uma Grande Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas deste ano.

Uma casa gerida por mulheres desde a sua fundação

A Casa Ermelinda Freitas faz 100 anos. Empresa familiar cujos destinos têm sido comandados essencialmente por mulheres, é gerida atualmente por Leonor Freitas, coadjuvada por Joana Freitas, a sua filha. Trata-se da quarta geração de mulheres à frente dos destinos da empresa agrícola fundada por Leonilde Assunção em 1920, na freguesia de Fernão Pó, concelho de Palmela. A gestão feminina manteve-se pelas mãos de Germana Freitas, a avó da presente proprietária, e depois pela mãe, Ermelinda, que deu o nome atual à empresa. E sente-se na forma afetiva como Leonor trata de tudo o que faz.

A proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas é da terra. Nasceu e cresceu em Fernão Pó, onde fez a escola primária. Completou o resto dos estudos em colégios internos, pois os pais queriam que ela tivesse uma vida melhor, fora do mundo rural. Só vinha a casa aos fins de semana e nas férias.

Tirou mais tarde o curso de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social, no Largo do Mitelo, em Lisboa e trabalhou durante mais de 20 anos no Ministério da Saúde, onde se dedicou em particular a áreas como a da prevenção contra o alcoolismo e das toxicodependências, etc. Não pensava voltar de novo ao mundo rural mas, no final da década de 90, o pai faleceu de repente e a mãe não tinha condições para levar o negócio para a frente sozinha. "É, por isso, que estou aqui e existe, hoje, a Casa Ermelinda Freitas", explica a empresária, contando que voltou há 22 anos.

Dos 60 aos 550 hectares de vinha

No início eram apenas três pessoas, incluindo Leonor Freitas, numa casa agrícola com 60 hectares de vinha. "A maior parte estava plantada com a casta tinta tradicional da região, a Castelão. Além disso havia um pouco de cepas brancas Fernão Pires, que apenas representavam 5% do total", recorda. Naquela altura a adega era, como muitas outras em Portugal, tradicional e estruturada essencialmente para a vinificação de tintos.

Apesar de não se sentir preparada para se envolver no projeto, abraçou-o "muito motivada". Acumulou prudentemente a gestão da empresa com o seu trabalho no Estado, e continuou a vender vinhos a granel, tal como o tinham feito os seus antecessores.

Estimulada pela sua capacidade inata de empreender, começou por alargar o seu património vitícola. As primeiras aquisições foram feitas por motivos afetivos, a parentes. "Assim fui juntando, de novo, a herança partilhada da minha avó", explica Leonor Freitas. Mas depois passou a adquirir mais vinhas porque precisava, para assegurar a produção e a resposta às solicitações do mercado, que foram crescendo.

A maior parte do património vitícola atual da Casa Ermelinda Freitas, de 550 hectares, fica próximo da adega de Fernando Pó. Nela são produzidos, hoje, mais de 21 milhões de litros de vinho. E as duas castas iniciais passaram a ser 31, apesar de o Castelão ainda se manter como principal variedade da empresa. "Gosto de ser a Senhora do Castelão", explica Leonor Freitas. A sua casa compra também uvas a mais de 150 viticultores da região de Palmela, na Península de Setúbal, muitos deles seus parceiros há mais de 50 anos. Todas são monitorizadas para assegurar a qualidade dos vinhos que a empresa põe no mercado, que tem sido atestada, ao longo dos anos, por mais de 1100 prémios conquistados em concursos nacionais e internacionais do setor.

100 anos mais um

Tal como em todo o mundo, também na Casa Ermelinda Freitas ninguém irá esquecer o ano de 2020. Não por aquilo que deveria ter acontecido, a programada comemoração dos 100 anos da empresa, com todos os eventos associados, adiados devido à pandemia de covid-19. Mais do que os seus efeitos no negócio, que sofreu quebras devido ao fecho da maioria dos estabelecimentos do canal Horeca, a grande preocupação de Leonor Freitas foi com os seus colaboradores. Por isso foi criado um plano de contingência e o trabalho foi dividido em dois turnos. Aqueles que o podiam fazer passaram a estar em teletrabalho. Desta forma, conseguiu-se assegurar a manutenção da atividade da empresa e a saúde dos seus colaboradores.

É no próximo ano que espera que a economia retome o seu rumo, para poder realizar as comemorações previstas para os 100 anos da empresa, adiadas devido à pandemia de covid-19. "Esperamos que seja o nosso ano de festejar a saúde de todos e os projetos adiados", diz ainda Leonor Freitas.