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Cuidar dos rins é também cuidar do coração, mesmo quando não dói
É para tentar mudar isto que nasceu o Estudo HÉRCULES, uma
avaliação a cerca de 3.000 pessoas em todo o país, incluindo os Açores e a Madeira,
sobre quantas vivem com doença renal crónica sem sequer saber que a têm.
Promovido pela Boehringer Ingelheim, com apoio científico da
Sociedade Portuguesa de Nefrologia e apoio institucional da Associação
Portuguesa de Insuficientes Renais, é o primeiro estudo nacional de prevalência
desta doença feito em Portugal.
Sobre a ligação entre coração e rins, e sobre por que vale a
pena conhecer o seu risco, falámos com Sandra Marques, General Manager &
Head of Human Pharma da Boehringer Ingelheim.
Sandra Marques, general manager & head of Human Pharma da Boehringer IngelheimDR
Porque faz sentido falar de saúde renal precisamente no
Dia Mundial do Coração?
Quando falamos do coração, é natural pensarmos nas artérias,
nas arritmias ou na pressão arterial. Mas os rins fazem parte da mesma
história: coração e rins trabalham em conjunto e, quando um não está bem, o
outro também pode sofrer. Por isso, o Dia Mundial do Coração é uma oportunidade
para alertar também para a doença renal crónica, que muitas vezes avança em
silêncio. Falar deste tema é ajudar cada pessoa a conhecer o seu risco, a
conversar com o seu profissional de saúde e a agir mais cedo. Porque proteger
os rins é também proteger o coração, e ganhar mais tempo com saúde e qualidade
de vida.
Se cuidar do rim faz bem ao coração, por que sabemos tão
pouco sobre este órgão?
Porque os rins trabalham em silêncio. Ao contrário do
coração, cuja doença pode dar sinais mais reconhecíveis, como dor no peito,
palpitações ou falta de ar, a doença renal crónica pode evoluir durante anos
sem dor e sem sintomas claros. Muitas vezes, quando os primeiros sinais surgem,
os rins já perderam uma parte importante da sua função. Por isso, falamos menos
deles, não porque sejam menos importantes, mas porque raramente nos avisam.
Conhecer o risco e avaliar a saúde renal atempadamente pode fazer toda a
diferença.
Conhecemos verdadeiramente a dimensão da doença renal
crónica em Portugal e quantas pessoas poderão viver com a doença sem o saber?
Ainda não. Estima-se que a doença renal crónica possa afetar até 10% da população adulta, mas Portugal não dispõe de dados nacionais recentes e representativos que nos permitam saber quantas pessoas vivem realmente com a doença. É precisamente esta realidade invisível que o Estudo HÉRCULES quer revelar. Ao avaliar cerca de 3.000 adultos de todo o país, incluindo os Açores e a Madeira, o estudo pretende identificar tanto os casos já conhecidos como as pessoas que vivem com a doença sem o saber. No terreno, equipas do estudo estão atualmente presentes em mais de 35 concelhos, realizando entrevistas porta a porta e convidando a população a participar através da realização de análises gratuitas em laboratórios Synlab. A recolha de dados decorre até ao final de 2026. Porque, por detrás de cada número, pode estar uma pessoa que ainda vai a tempo de cuidar melhor da sua saúde.
Neste Dia Mundial do Coração, qual é o compromisso
simples que cada pessoa pode assumir também pelos seus rins?
O compromisso pode começar com uma pergunta muito simples ao
profissional de saúde: "Como estão os meus rins?" Duas análises, uma
ao sangue e outra à urina, podem ajudar a perceber se os rins estão a funcionar
bem. Perguntar é um gesto pequeno, mas que pode fazer toda a diferença, porque
conhecer o risco mais cedo permite agir mais cedo. Neste Dia Mundial do
Coração, olhar pelos rins é garantir mais anos de vida com saúde.
Que mensagem gostaria de deixar a quem nunca tinha
pensado na ligação entre o coração e o rim?
A mensagem é simples: o coração e os rins não vivem em
mundos separados. Quando um está em risco, o outro pode também estar. Sentir-se
bem não deve ser a única medida da nossa saúde. Seja um agente ativo da sua
saúde: cada um de nós deve falar com o seu médico sobre a necessidade de
avaliar a saúde renal. Não espere que os rins deem sinais para se lembrar
deles. Conhecer o risco hoje pode proteger a sua saúde amanhã.
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