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#AdoroOsMeusOlhos: sabe que o glaucoma é uma causa silenciosa de cegueira?

A propósito da Semana da Visão, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia lança a campanha #AdoroOsMeusOlhos, em parceria com várias entidades relacionadas com a visão. Fernando Trancoso Vaz, médico oftalmologista e vice-presidente da SPO, fala-nos do risco de desvalorizar rotinas de saúde ocular.

07 Outubro 2022 11:56

Porque é que nos temos de preocupar com o glaucoma?

O glaucoma é uma doença crónica e progressiva do nervo ótico – que é o nervo que leva a informação do olho, que recebe as imagens para o córtex visual onde as imagens são “observadas e vistas” pelo nosso cérebro. É uma doença importante porque é a principal causa de cegueira irreversível (a OMS estimou que em 2020 existiam 4,4 milhões de pessoas afetadas a nível mundial), porque se instala com uma perda impercetível (numa fase inicial) da visão periférica, só levando a cegueira num estádio mais avançado e sobretudo porque é potencialmente evitável se diagnosticada. O problema é que não dá sintomas (ardor, dor, etc.) e, como tal, evolui silenciosamente se não for diagnosticada numa consulta de rotina de oftalmologia.



Fernando Trancoso Vaz, médico Oftalmologista e Vice presidente da SPO



Como é que se manifesta o glaucoma?

Como foi referido, trata-se de uma doença que não causa nenhum sintoma (ardor, picadas ou outra queixa). Não é assim tão incomum observarmos um doente que nos procura na consulta, ou urgência, porque perdeu visão num dos olhos e descobre-se que tem um glaucoma em fase terminal mesmo no outro olho (apesar de não obstante não estar cego). Outro tipo de manifestações são as quedas sem causa aparente, o chocar com objetos que não tinha reparado que se encontravam no seu espaço visual, fruto da perda da visão periférica.





Como é que eu sei que tenho glaucoma?

Trata-se de uma doença multifatorial em que o fator que parece ser mais importante, e o único que é modificável, é a pressão intraocular (PIO) elevada. Contudo, este parâmetro tem oscilações ao longo do dia, podendo em 50% dos casos observados em consulta ter PIO ditas “normais”. Pelo que não chega confirmar que a PIO está elevada (qualquer máquina o faria e seriam fáceis os rastreios), sendo mais importante avaliar tudo o resto do olho: medir o ângulo iridocorneano e detetar as lesões características no nervo ótico (“nervos óticos escavados”). A realização de tomografia de coerência ótica (OCT) e campos visuais vai permitir corroborar o diagnóstico e dizer-nos quão grave é o estádio desta doença.


O glaucoma tem cura?

Infelizmente não. O que se perdeu de visão não se recupera. O tratamento do glaucoma permitirá atrasar ou idealmente impedir a progressão desta doença. Pode-se recorrer a colírios, laser e/ou cirurgia. Não sendo os rastreios populacionais eficazes, do ponto de vista custo/eficácia, recomenda-se os rastreios das populações ditas de risco: > 40 anos, antecedentes familiares de glaucoma, raça negra, alta miopia e doentes medicados com corticoides. A deteção precoce permitirá o diagnóstico de quem tem esta patologia bem como o seu tratamento, evitando a sua progressão e em última instância a cegueira. Daí a importância que a SPO dá a este disease awareness e à necessidade de se realizarem consultas de rotina por médicos oftalmologistas. Os únicos profissionais capazes de diagnosticarem, seguirem e tratarem quem padece desta temível patologia.