Esse caminho de renovação está neste disco, como a festa anunciada num dos mais tentadores temas do disco, "Na Lusitânia". Nele, Beatriz Nunes canta: "Na Lusitânia há fogo/E o fumo anda no ar/Acendem-se as fogueiras/E os Homens estão cantar". A harmonia é o horizonte que se busca por aqui. Aquele sítio inalcançável que fica para lá do que os nossos olhos alcançam. Depois do mar. Este disco também mostra que a música dos Madredeus sobrevive ao tempo, evolui a partir de traves-mestras nunca abandonadas. Percorrendo os 14 temas deste novo disco, percebe-se que o fogo interior, que esteve na origem do grupo, continua vivo. Encontramo-lo nos acordes de "Existimos no Céu", "Sei Lá" ou "A Espiral". Aqui e ali descortinam-se memórias de antigas canções de José Afonso, mas eles diluem-se no universo musical da guitarra clássica (de Ayres Magalhães) e das teclas (de Carlos Maria Trindade), a que se juntam a harpa de Ana Isabel Dias e o violoncelo de Luís Clode, felizes valores acrescentados para o mundo harmónico do grupo. Beatriz Nunes canta aqui a felicidade e a dor, a eternidade e a solidão, o amor e o universo que vive independentemente de nós. "Capricho Sentimental" corre livre para a foz mais bela da música portuguesa. Continua a saga dos Madredeus. Aquela que começou quase há três décadas numa Lisboa que assistia a uma mudança sem fim. E que procurava não perder o seu passado. As raízes de que se faz um país, uma língua, uma poesia e a música que lhe dá corpo e alma. 
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