A história do livro mais perigoso do mundo
Uma avó embrulhou-o em folhas impermeáveis e enterrou-o no jardim. Podia ter valor. Não se enganou. Escrito em papel oferecido pela nora de Wagner numa cela onde não faltou cerveja, prenda nos casamentos que até os cegos podiam ler, Mein Kampf, o manifesto infame de Hitler, é agora novamente um sucesso
A história do livro mais perigoso do mundo
Uma avó embrulhou-o em folhas impermeáveis e enterrou-o no jardim. Podia ter valor. Não se enganou. Escrito em papel oferecido pela nora de Wagner numa cela onde não faltou cerveja, prenda nos casamentos que até os cegos podiam ler, Mein Kampf, o manifesto infame de Hitler, é agora novamente um sucesso
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A história do livro mais perigoso do mundo
Parece uma foto vulgar de um casal de noivos. Ela, de vestido branco e gardénias na mão. Ele, de fato escuro e flor na lapela. Um pormenor rasga a banalidade: na mão do noivo está o Mein Kampf (A Minha Luta). A imagem a preto e branco da avó de Barbara Ernst, de Munique, não é caso único nos álbuns das famílias alemãs. Em 1936, o Ministério do Interior "convidou" as câmaras municipais a oferecerem o livro de Adolf Hitler a todos os recém-casados.

Barbara nunca o viu, a avó atirou-o ao rio enquanto os vizinhos o escondiam nos celeiros quando o chão da rua tremeu com a chegada das tropas aliadas, conta à SÁBADO enquanto descreve a foto. Terão sido entregues assim, nos casamentos, cerca de 4 milhões dos mais de 12 milhões de exemplares distribuídos na Alemanha entre 1925 e 1945. Depois, todos o quiseram esquecer. Os alemães com medo da culpa colectiva e, tal como os judeus, com medo do regresso do horror.

Seguiram-se 70 anos de proibição do livro mais perigoso do mundo até que faz agora um ano, no dia 8 de 2016, surgiu na Alemanha –e também em Portugal – uma nova edição. Um livro pode ser só um livro, mas Mein Kampf não é só um livro. Por isso, conscientes da tragédia a que o manifesto infame de Hitler conduziu, às 700 páginas do original juntam-se 3.700 entradas de comentários: é o resultado da investigação do Instituto de História Contemporânea de Munique, que o publicou. Ao todo, são 1.984 páginas. E, surpresa!, as quatro mil cópias, vendidas a 54 euros, esgotaram no mesmo dia e os livreiros receberam quatro vezes mais encomendas. A procura estendeu-se a todos os meses, fazendo do manifesto infame de Hitler um dos bestsellers do ano passado na Alemanha. Ao todo foram vendidos 85 mil cópias e foi agora anunciada uma sexta edição. 

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