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Portugal

Portugueses querem mais apoio social, sem aumento de impostos

26.12.2016 16:42 por Alexandra Pedro 1
Um estudo revela que os portugueses estão mais interessados no Estado Social, mas não aceitam pagar mais impostos para isso
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Foto: Getty Images

Uma das maiores crises vividas em Portugal, de 2008 a 2013, que obrigou a uma intervenção do FMI, mudou a atitude dos portugueses em relação ao Estado Social. Essa é a conclusão de um estudo dos investigadores Mónica Brito Vieira (Universidade de York), Filipe Carreira da Silva (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Faculdade Selwyn, Cambridge) e Cícero Roberto Pereira (Universidade Federal da Paraíba). 

Segundo a investigação Waiting for Godot? Welfare Attitudes in Portugal Before and After the Financial Crisis, trabalhadores e desempregados estão mais preocupados com a intervenção do Estado no que diz respeito aos apoios sociais, especialmente com as pensões. "Na prática, os trabalhadores com vínculos laborais precários parecem apoiar a formação de pensões de reforma de acordo com uma lógica que, objectivamente, os prejudica ou, se se preferir, beneficia quem tem um emprego estável", afirmou Filipe Carreira da Silva em entrevista ao Público.

No entanto, "a fadiga fiscal" leva a que os portuguesas não queiram "pagar mais impostos para sustentar a extensão da provisão". 

Há ainda uma conclusão surpreendente neste estudo: a mudança ideológica. Segundo o estudo elaborado por uma cientista política, um sociólogo e ainda um psicólogo social, a população está mais virada para a esquerda. Esta mudança pode estar ligada, segundo a análise dos investigadores, à "intervenção externa por instituições que apoiam largamente políticas económica neo-liberais" e que propõem "a redução do estado social como forma de redução do défice e recuperação económica".

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